16 de outubro de 2010

Liderança Hoje - Nº 3 (Outubro 2010)


SECÇÃO 1
COMPETÊNCIA
FAZENDO MENOS, ALCANÇANDO MAIS

FAZER AS COISAS CERTAS
Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se o seu dom é exercer liderança, que a exerça com zelo" (Romanos 12:6,8).
Os líderes da igreja do primeiro século não tinham nenhum modelo para seguir e nenhuma tradição para se regularem. Consequentemente, não tiveram outro remédio senão desenvolverem eles próprios a estrutura da igreja conforme o tempo ia decorrendo. Tal como seria de esperar, as primeiras responsabilidades da liderança caíram nas mãos daquele punhado de homens que tinham passado mais tempo com Jesus. Para os primeiros tempos isto estava bem. Mas à medida que a igreja cresceu, tornou-se impossível os apóstolos fazerem tudo. Esta tensão de crescimento criou a necessidade de uma liderança mais ampla na igreja primitiva.
Naqueles dias, crescendo o número de discípulos, os judeus de fala grega entre eles queixaram-se dos judeus de fala hebraica, porque suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimento. Por isso os Doze reuniram todos os discípulos e disseram: Não é certo negligenciarmos o ministério da Palavra da Deus, a fim de servirmos às mesas. Irmãos, escolham entre vós sete homens de bom testemunho, cheios do Espírito Santo e de sabedoria. Passaremos a eles essa tarefa e nos dedicaremos à oração e ao ministério da Palavra. Tal proposta agradou a todos. Então escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, além de Filipe, Prócoro, Nicanor, Timom, Pármenas, e Nicolau, um convertido ao judaísmo, proveniente de Antioquia. Apresentaram esses homens aos apóstolos, os quais oraram e lhes impuseram as mãos. Assim a Palavra de Deus se espalhava. Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes obedecia à fe. (Actos 6:1-7).
É difícil imaginar o apóstolo Pedro a servir às mesas. Mas à medida que a igreja cresceu, ele e os outros onze apóstolos viram-se envolvidos no negócio de servir comida. As viúvas na igreja do primeiro século tinham que ser tratadas. Alguém tinha de o fazer. E nada era inferior para esses homens.
Afinal, estes eram os sujeitos que tinham ficado apreensivos ao ver Jesus inclinar-se para lhes lavar os pés. Eles sabiam tudo sobre uma liderança de servo. Eles tinham aprendido do próprio Mestre Servo. Então, se a viúvas precisavam de ser alimentadas, porque não fazê-lo?
Mas, eventualmente, o trabalho ultrapassou-os. Cada vez mais o tempo deles era consumido por actividades administrativas. E aparentemente, a administração não era algo que verdadeiramente constituía uma das suas fortalezas, pois rápidamente foram acusados de parcialidade na distribuição dos alimentos.
Foi nessa altura que perceberam que as coisas tinham de mudar. A missão da igreja estava em risco. A coisa principal não era mais a coisa principal deles. Então fizeram o que qualquer boa igreja faria: Marcaram uma reunião.
Preste atenção ao que eles disseram na sua declaração de abertura: “Não é certo negligenciarmos o ministério da Palavra da Deus, a fim de servirmos às mesas” (v. 2). Isto é muito forte. Por outras palavras: “Estaremos a fazer a coisa errada se continuarmos a cuidar das viúvas.” Espero bem que não estivesse nenhuma viúva na reunião!
Os apóstolos depressa chegaram à conclusão que tinham de fazer aquilo que só eles podiam fazer. Eles eram os únicos homens no planeta que estavam equipados para comunicar os ensinos de Cristo. A sua experiência única e acesso ilimitado ao Mestre posicionaram-nos como os únicos portadores da mensagem mais importante do mundo.
Devido a esse imperativo, eles não tinham que servir às mesas. Se o fizessem isto iria ter um impacto negativo no momento e no foco da igreja. Era altura de delegar tanto responsabilidade como autoridade para que eles pudessem continuar a fazer as duas coisas para as quais estavam mais bem equipados: ensinar e pregar.
Diferentemente da igreja moderna, eles não pediram por voluntários. Eles escolheram sete homens que estavam equipados para cumprir a tarefa. Eles não estavam a negligenciar a sua responsabilidade ao fazerem isto. Pelo contrário, eles foram escolhidos de tal maneira que ficou assegurado que o trabalho fosse mais bem feito do que fora antes.
E o resultado? “E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé” (Actos 6:7).
Três coisas aconteceram como resultado desta decisão aparentemente insignificante:
1. A palavra de Deus cresceu
2. O número de discípulos em Jerusalém aumentou rapidamente
3. Pessoas chave e com influência na cidade foram convertidas
Resumindo, eles ficaram no trabalho. E enquanto os apóstolos permaneceram nas luzes da ribalta, sete outros homens trabalharam por detrás da cena para assegurar que o dinheiro e a comida eram geridos com responsabilidade.
Era a tarefa destes sete recém-chegados menos “espiritual” do que a dos apóstolos? Não. Era a responsabilidade deles menos crucial para o sucesso da igreja? Claro que não. Ambos os grupos eram indispensáveis para o progresso do evangelho. Mas só quando foram posicionados correctamente é que o seu impacto foi completamente sentido.
Aconteceu mais uma coisa como resultado da decisão dos apóstolos de delegar a distribuição da comida. Surgiram dois novos líderes: Estevão e Filipe. Estevão veio a ser uma poderosa testemunha pública e eventualmente o primeiro mártir após o Pentecostes. Filipe tornou-se num evangelista itenerante. O seu ministério resultou na conversão de muitos fora da região de Jerusalém, onde a maioria dos apóstolos continuaram a ensinar. Foi dado a estes dois homens as suas primeiras oportunidades de ministério como resultado da decisão dos apóstolos fazerem aquilo que somente eles podiam fazer.
Nenhum dos doze tinha a menor ideia do que estava na balança na sua decisão de desistirem de servir às mesas. O que sabiam era que não estaria certo para eles “negligenciarem o ministério da palavra”. Imagine o que poderia ter acontecido se estes líderes tivessem continuado a servir às mesas e não tivessem delegado a responsabilidade da distribuição da comida.
O mesmo princípio é verdadeiro para si. Tal como os apóstolos, não tem a menor ideia do que está na balança da sua decisão de operar com os seus pontos fortes e delegar os seus pontos fracos. Como líder, abençoado por Deus para fazer algumas coisas bem, não será correcto para si tentar fazer tudo.
John Maxwell diz: “Tu és mais valioso onde tu acrescentas o maior valor.” É vital para a prosperidade e sucesso da igreja que nós, como líderes, descobrarmos essa tarefa, essa estreita zona de responsabilidade onde nós acrescentamos o maior valor. E uma vez que a encontramos, é ainda mais vital permanecermos nela.
Numa carta para ex-alunos de um seminário, o Dr. Howard Hendricks sublinhou a importância deste princípio:
"Se houve alguma coisa que me manteve no caminho todos estes anos, foi estar firmado neste princípio do foco central. Há muitas coisas que eu posso fazer, mas devo reduzir tudo até à coisa que eu devo fazer. O segredo da concentração é a eliminação (ênfase adicionada)".
Quando avalias o teu ambiente de liderança e de responsabilidades, o que é que vês que precisa ser eliminado? O que é necessário delegar? O que “não estaria certo” continuares a fazer?

15 de outubro de 2010

A Comunhão dos Desavergonhados

Eu faço parte da comunhão dos desavergonhados. Eu tenho o poder do Espírito Santo. Os dados foram lançados. Eu pisei a linha. A decisão foi tomada. Eu sou um discípulo Seu. Eu não vou olhar para trás, afrouxar, abrandar, recuar ou ficar parado. O meu passado está redimido, o meu presente tem um propósito e o meu futuro está assegurado. Estou farto e acabado para a vida de baixo nível, andar pela vista, planos pequenos, joelhos fracos, sonhos sem cor, visões limitadas, falar mundano, dar escasso e alvos minúsculos. Eu não preciso mais de proeminência, prosperidade desmedida, posição, promoção pessoal, aplausos ou popularidade. Eu não tenho que estar certo, ser o primeiro, ser o melhor, reconhecido, louvado, considerado ou recompensado. Eu agora vivo pela fé, inclinado na Sua presença, caminhando com paciência, vivendo pela oração e trabalhando com poder. A minha face está determinada, a minha marcha é rápida, a minha meta final é estar com Ele. A minha estrada é estreita, o meu caminho é áspero, as minhas companhias são poucas. O meu Guia é de confiança, a minha missão é clara. Eu não posso ser comprado, comprometido, desviado, atraído, ameaçado, intimidado, manipulado, puxado para trás, iludido ou atrasado. Eu não vou recuar perante o sacrifício, hesitar na presença de um adversário, negociar à mesa com o inimigo, ponderar no meio da popularidade ou divagar no labirinto da mediocridade. Eu não vou calar-me ou desistir até que levante, armazene, ore, pague e pregue a causa de Cristo! Eu devo ir até que Ele me pare. E quando Ele vier por mim - Ele não tenha problemas em me reconhecer; as minhas cores serão claras, a minha bandeira estará limpa.