26 de abril de 2010

Liderança Hoje - Nº 2 (Abril 2010)

SECÇÃO 1
COMPETÊNCIA
FAZENDO MENOS, ALCANÇANDO MAIS

TRABALHANDO DEMASIADO

É tão natural, como necessário, que os jovens líderes tentem provar-se a si mesmos fazendo tudo por eles próprios. É natural porque, como líderes querem marcar o ritmo assim como demonstrar que nada nem ninguém os pode suplantar. É necessário porque a maior parte das vezes ninguém está por perto para os ajudar. Mas o que inicialmente pode parecer natural e necessário, ulteriormente pode limitar a sua eficácia.
Provavelmente, dois dos maiores segredos que se devem guardar sobre liderança, são:
  1. Quanto menos fazemos, mais alcançamos.
  2. Quanto menos fazemos, mais capacitamos outros a alcançarem.
Enquanto fui um jovem líder, um dos meus maiores erros foi permitir que o meu tempo fosse consumido por coisas que estavam fora das minhas áreas de competencia. Dediquei muito dos meus primeiros anos como pastor, a coisas para as quais não tinha qualquer dom - coisas em que nunca seria bom ou capaz. Ao mesmo tempo, investi muito pouco da minha energia em desenvolver as minhas fortalezas.
Creio que sou um bom comunicador. Mas não sou assim um grande administrador. Creio que sou um bom visionário. Mas não sou nada tão bom no pedido de prestação de contas. Creio que sei preparar uma mensagem. Mas não penso que seja um grande preparador de eventos. Isto não significa que não seja capaz de fazer aquilo onde não sou tão capaz, mas o que quero realçar é que, foi muito pouco o que fiz para melhorar as minhas capacidades de comunicador. Ao contrário, gastei muito tempo a tentar tornar-me num bom administrador e planeador de eventos. O tempo que deveria ser gasto para desenvolver as minhas fortalezas foi gasto em inúmeras coisas nas quais era fraco.
O problema era que ao longo da caminhada, o mito "para se ser um bom líder tem de se ser bom em tudo" foi-se desenvolvendo dentro de mim. Por isso vivi debaixo da suposição que tinha de tornar as minhas fraquezas em fortalezas. Mas a questão que se coloca é: "Depois de tudo, vocês seguiriam um líder que não esteja bem rodeado"?
Trabalhava arduamente, mais do que qualquer um à minha volta, mas não trabalhava de forma sábia. Somente tentava provar de que era capaz. Não demorou muito tempo até perceber que tinha de me rodear das pessoas que eram fortes, nas áreas onde eu era fraco. E isso determinou crescimento e a atracção de mais pessoas comprometidas com a mesma causa. As coisas onde era fraco, tornaram-se oportunidades para outros.
Como resultado, comecei a comunicar mais e a planear menos os eventos. Comecei a investir mais tempo a desenvolver a visão, missão e estratégia e menos tempo em resolver problemas. Comecei a ser mais proactivo em relação às coisas que permitia no meu calendário. Comecei a ser mais orientado para a missão do que para a necessidade. Tudo isto ainda é um processo em crescimento no meu ministério, mas quero partilhar com todos os jovens líderes o que já aprendi.

Faz somente o que só tu podes fazer

Isto pode soar-vos muito pouco realista ou até provocar um sorriso, mas logo que ultrapassarem a improbabilidade deste axioma, sentem-se e escrevam.
Quais são as duas ou três coisas que vocês, e só vocês são responsáveis por fazer? Específicamente, o que é que vos foi designado fazer? O que é "ser bem sucedido" para uma pessoa na vossa posição?
Vamos reduzir isto ainda mais. Das duas ou três coisas que vocês definem "ser bem sucedido", quais são aquelas que estão em consonância com os vossos dons? Das coisas que vos têm sido pedidas para fazer, para quais delas são vocês específicamente dotados?
É aí onde devem focar a vossa atenção e energias. É aí onde se devem suplantar. É nessas coisas onde vocês acrescentarão valor ao vosso ministério, igreja ou organização e serão bem sucedidos. E melhor ainda, vocês gostarão do que estão a fazer.
"Impossível" dirão alguns. "Não posso concentrar somente as minhas energias numa percentagem das muitas responsabilidades que tenho". Talvez isso não seja ainda possível, mas têm de começar a identificar as áreas onde terão maior probabilidade de serem bem sucedidos. Têm de dar a conhecer quais são essas áreas. Não podem fazer "tiro ao alvo", até que o identifiquem. Estamos aqui a falar de uma mentalidade, uma perspectiva, uma forma de pensar. Isto é uma visão. Isto é algo onde devem trabalçhar para maximizar o vosso potencial como líderes.
No momento em que um líder sai da esfera das suas competências, a sua eficácia como líder diminui. Devotem o vosso tempo às coisas em que são naturalmente dotados. Isso vai atraír até vós, pessoas com um nível inferior de liderança, ou até do mesmo nível, se se sentem seguros, e isso contribuirá para o sucesso de todos.
Por se tratar de uma área onde se trava uma batalha entre a mente e o coração, deixem-me identificar os cinco maiores obstáculos a enfrentar, ao adoptar-se esta forma de pensar:

I - A BUSCA DO EQUILÍBRIO - A primeira coisa que impede a próxima geração de líderes de alcançarem o máximo do seu potencial e desenvolverem as suas áreas de fortaleza, é a ideia de "serem equilibrados" - no contexto de que têm de fazer ou saber de tudo um pouco para que sejam considerados bons líderes, quando na realidade o mais importante é o "foco".
Organizacionalmente, devemos lutar pelo equilíbrio, mas não é realista lutar-se por ser equilibrado dentro da esfera das nossas capacidades pessoais de liderança. Lutar pelo "equilíbrio" força um líder a investir tempo e energia em aspectos da liderança onde nunca será capaz de se suplantar. Se esta mentalidade existe, rouba a oportunidade de outros manifestarem os seus dons e talentos.
O meu contexto de liderança é a igreja local e as igrejas e organizações debaixo da minha supervisão apostólica. Em lugar de perder o meu tempo procurando fazer tudo, é minha missão treinar e mentorear os diferentes membros das equipas ministeriais. O foco não é, eu "ser equilibrado" nas minhas capacidades de liderança, mas sim, que o Centro Cristão Vida Abundante (local, nacional e internacionalmente) "seja equilibrado", tendo pessoas que desenvolvem o máximo do seu potencial e acrescentam valor ao ministério. Se assim acontece, a excelência será notada.
Não lutem por ser "líderes equilibrados", mas descubram a vossa zona e área de fortaleza e depois deleguem tudo o mais.

II - FALHA EM DISTINGUIR ENTRE AUTORIDADE E COMPETÊNCIA - A segunda razão pela qual os líderes nem sempre trabalham as suas fortalezas é porque ainda não distinguiram a diferença entre autoridade e competência. Quando exercemos a nossa autoridade numa área onde temos falta de competência, podemos anular projectos e desmotivar aqueles que possuem o saber que não temos.
Tenho autoridade para num domingo qualquer aproximar-me da equipa dos técnicos de som que trabalham na igreja e desferir uma série de ordens. O facto de não perceber nada do assunto, não diminui em nada a minha autoridade. Eventualmente, a equipa fará o que lhes peço para fazerem. Mas toda a produção sofreria terrívelmente. Se fizer isso todos os domingos, o mais certo é que toda a equipa se retire.
Não há necessidade de se tornarem entendidos ou mesmo compreenderem cada componente da vossa organização. Se tentarem exercer autoridade dentro de um departamento que está fora das vossas competências, impedirão tudo e todos debaixo da vossa supervisão. Se falharem em destinguir entre autoridade e competência, exercerão a vossa influencia de forma que prejudicará os projectos e as pessoas.

III - INCAPACIDADE DE DISTINGUIR ENTRE COMPETÊNCIAS E INCOMPETÊNCIAS - Líderes bem sucedidos numa determinada área, com frequência assumem que são competentes noutras áreas nas quais não têm competência alguma. Como resultado, podem perder oportunidades de "subir o nível" das suas fortalezas. Sucesso é intoxicante e pessoas intoxicadas não têm uma boa visão da realidade. Líderes bem sucedidos tendem a assumir que as suas competências são mais vastas do que na realidade são.
Pior ainda, quanto mais bem sucedido um indivíduo é, menor é o número daqueles que trazem essa realidade para ele. Consequentemente, um líder considerado uma sumidade numa área, é muitas vezes tratado como sendo um entendido noutras.
Líderes que não estão conscientes das suas áreas fracas sentem que são tão bons como qualquer outra pessoa na sua organização/igreja. Alguns têm até comprado a ideia falsa de que, grandes líderes não têm fraquezas (áreas fracas). Nas suas mentes, admitir fraquezas é diminuir a sua eficiência e eficácia. Tais líderes tendem a esconder as suas fraquezas. Requer uma certa quantidade de segurança pessoal admitir fraquezas. E a verdade é que, admitir fraquezas é um sinal de fortaleza. Admitir a fraqueza não torna o líder menos eficaz. Antes pelo contrário, em muitos casos é simplesmente a forma de expressar que ele compreende aquilo que cada um já sabe há muito. Quando admitem as vossas fraquezas diante da equipa, nunca é informação nova.

IV - CULPA - Alguns líderes não trabalham as suas fortalezas porque sentem culpa de delegar as suas fraquezas. É aqui onde por vezes luto. Assumo que todos os outros odeiam fazer as coisas que odeio fazer. Durante anos senti culpa em delegar coisas nas quais não queria estar envolvido. Levou algum tempo até compreender que muitos da equipa que me rodeava, sentiam revitalizados a fazer aquilo que me tirava a vida.
Como disse anteriormente, preparar um evento não é uma das minhas áreas fortes. Não é que desconheça totalmente como se faz, mas sempre foi demasiado stressante para mim. Mas porque assumia incorrectamente que na equipa ninguém gostava de fazer tal coisa, achava que fazia um favor a todos quando gastava horas e horas a prepará-los detalhadamente.
Afortunadamente, para mim e para toda a igreja, descobri que muitos viam estimulada a sua adrenalina quando o faziam.
Lembrem-se, todos na organização/igreja beneficiarão quando delegarem responsabilidades que estão fora das vossas competências. As vossas fraquezas são as oportunidades de outros.

V - INDISPONIBILIDADE PARA DESENVOLVER OUTROS LÍDERES - Há uma certa ponta de verdade no adágio - "Se o queres bem feito, fá-lo tu mesmo". Por vezes é realmente mais fácil e representa menos tempo consumido, fazermos nós mesmos do que treinar alguém para o fazer. Mas liderança nem sempre tem a ver com fazer as coisas "certas". Liderança tem a ver com ter as coisas feitas através de outras pessoas. Muitos líderes perdem a oportunidade de trabalhar as suas fortalezas porque se esquecem que grandes líderes trabalham através de outros. Liderança tem a ver com a multiplicação dos vossos esforços, que automáticamente multiplicam os vossos resultados.
Stephen R. Covey no seu livro "Os 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes" disse:"Alcançamos tudo o que fazemos através da delegação - seja tempo ou a outras pessoas... Transferir responsabilidades a outras pessoas dotadas e treinadas, capacita-nos a entregar as nossas energias a outras actividades de nível superior. Delegação significa crescimento, seja para os indíviduos como para as organizações".
Quando nos queixamos de não ter à nossa volta pessoas capazes ou competentes a quem delegar, é tempo de olharmos para o espelho! Nunca podemos esquecer que as pessoas que nos seguem estão exactamente no lugar onde as conduzimos. Se não há ninguém a quem possamos delegar, muito provávelmente a falta é nossa e temos de nos dispor a "buscar e treinar novos líderes".

Muitos exemplos na história subscrevem a centralidade destes princípios de liderança. Foi a aplicação prudente dos mesmos que levou a Igreja Primitiva a consolidar os seus ganhos e a capitalizar o seu crescimento explosivo, sem perder o foco ou o momentum.





23 de abril de 2010

Do Deserto ao Templo




Maturidade na Adoração: O Que A Igreja Pode Aprender dos Filhos de Israel


Na sua caminhada do deserto ao templo, os israelitas progrediram na sua compreensão do desígnio de Deus quanto ao louvor e adoração. As lições que aprenderam nessa estrada para a maturidade são igualmente críticas para a igreja hoje.
Creio que aquilo que vou escrever neste artigo é de extrema importância para todos os cristãos. À medida que crescem no seu conhecimento e relação com Deus, são também responsáveis por amadurecerem no desenvolvimento das suas expressões de louvor e adoração.
É com isto em mente que analisaremos as Escrituras e veremos como a experiência de louvor e adoração progrediu na sua revelação e expressão, à medida que os israelitas caminharam do deserto até ao templo.
1. O Deserto – Antes do Êxodo, Israel tinha sido um povo em escravidão, sem cânticos de louvor nos seus lábios – sem obras poderosas sobre as quais cantar. Eles lastimavam-se e clamavam a Deus sobre as condições em que viviam. Só depois de Deus os ter libertado, aberto o Mar Vermelho e ter-lhes permitido atravessá-lo a pé enxuto, é que vemos a primeira referência do seu louvor a Deus, em Êxodo 15:20,21. Depois do Senhor ter demonstrado o Seu grande poder, Moisés escreveu um cântico, recontando todos os grandes feitos de Deus. Miriam e as outras mulheres tomaram os tamborins – provavelmente os únicos instrumentos que tinham – dançaram e cantaram o cântico que Moisés escrevera.
Finalmente! Tinham um cântico para entoar. Tinham um Campeão, um Libertador, um Deus que tinha demonstrado um poder maior do que o poder da mais terrível e temida nação à face da terra.
Deus estava agradado e recebeu a sua oferta de louvor. Eles cantaram a única canção de louvor que conheciam, aquela que Moisés escrevera. Eles regozijaram-se e celebraram à medida que recitavam as obras e feitos poderosos do seu Libertador.
2. A Terra Prometida – Em Josué 6:2-5, à medida que os israelitas enfrentaram os seus inimigos em Jericó, o Senhor deu instruções específicas acerca de como o Seu povo devia louvá-l’O e isso, permitiu-Lhe mostrar o Seu poder e habilidade poderosa.
Apesar de terem visto muitas coisas fora do comum nos seus 40 anos no deserto, estavam agora a ser chamados para fazer algo ainda mais anormal em termos estratégico-militares: marcharem silenciosamente à volta da cidade até que os seus inimigos ficassem tontos, para então os aterrorizarem com música e gritos de louvor, até que os muros da cidade caíssem.
Depois de atravessarem o Mar Vermelho foi-lhes dada uma razão para louvarem o seu Deus. Após a entrada na Terra Prometida foi-lhes enviado o poder do louvor.
No deserto, as mulheres aparentemente entraram de forma espontânea em cânticos e danças. Na experiência em Jericó, cinco novos elementos foram acrescentados à experiência de louvor:
  • OBEDIÊNCIA – O exército tinha de obedecer cuidadosamente às ordens de Josué.
  • ORDEM – Eles tiveram de marchar seis dias à volta das muralhas, sem falarem uma só palavra. Não podiam expressar qualquer dúvida, medo ou insatisfação. (Lembre-se que essas foram as razões porque os seus pais não puderam entrar na terra prometida).
  • OUSADIA – Sem olhar para o que o inimigo podia pensar, os guerreiros corajosamente se posicionaram à frente e atrás da Arca e dos sacerdotes, demonstrando a sua confiança em Deus.
  • MÚSICA INSTRUMENTAL ESPECÍFICA – Deus chamou o Seu povo para tocar a trombeta – um instrumento mais sofisticado que os tamborins – à medida que saíam para a batalha. Aparentemente, tocar os tamborins não era suficiente para a missão que tinham em mãos.
  • CHAMADA – As mulheres cantaram e dançaram, mas Deus convocou os Seus guerreiros para tocarem as trombetas e gritarem altos louvores, declarando que o Senhor lhes tinha dado a cidade.
3. A Nação de Israel – Em I Crónicas 15:16, o Senhor novamente deu instruções específicas acerca do tipo de instrumentos e cantores que deveriam acompanhar a Sua presença: “Disse David aos chefes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, cantores, para que, com instrumentos de música, com alaúdes, harpas e címbalos, se fizessem ouvir e levantassem a voz com alegria.”
Os cantores e músicos eram agora indicados de acordo com o seu nível de capacidade. Estavam também instruídos nos tipos de cânticos que cantariam e quais os instrumentos que usariam.
Todo o povo de Israel foi convidado para fazer parte da celebração processional e enquanto o rei David e os sacerdotes aprenderam que a presença de Deus (representada pela Arca do Concerto) não era algo para ser tratado de forma leve ou casual, todos eram agora bem vindos a entrar na presença de Deus. Foi durante este período que ofertas, sacrifícios, vestimentas, música e dança foram reconhecidos como tendo um lugar próprio na adoração.
Em I Crónicas 15:26,27, David demonstrou a mais esbanjadora expressão de louvor e adoração que a nação já vira. Ele foi até ao extremo para servir a Deus com cada dom e habilidade que tinha e usou os talentos e perícia do povo da nação. Obviamente, à medida que a nação amadureceu e se desenvolveu, Deus esperou que o Seu povo crescesse na sua expressão de adoração a Ele.
4. O Tabernáculo – Em I Crónicas 16:4-6, quando a arca foi colocada no tabernáculo, o rei David indicou músicos talentosos para ministrarem regularmente perante o Senhor. Ao fazê-lo estava a permitir aos filhos de Israel saberem que o louvor e a adoração não seriam mais um evento social; deveriam ser um estilo de vida contínuo.
David escreveu cânticos e encorajou os músicos e cantores talentosos a escreverem canções que glorificassem a Deus. Ele desafiou-os a não serem letárgicos (apáticos) ou preguiçosos, mas a erguerem as suas mãos no santuário e a bendizerem ao Senhor.
No tabernáculo mosaico, somente o sumo-sacerdote tinha acesso ao Santo dos Santos. Mas agora, todos os sacerdotes que ministravam no santuário, podiam entrar na presença de Deus.
5. O Templo – Na cerimónia de dedicação do novo templo (II Crónicas 5), o rei Salomão ordenou grandes ofertas e sacrifícios. Ele comissionou cantores e músicos para produzirem e apresentarem a maior apresentação que a nação já tinha visto.
As Escrituras dizem que havia 120 trompetistas, juntos com muitos cantores seleccionados. Vestidos com os seus atavios sacerdotais, eles cantaram e tocaram em uníssono, proclamando “Ele é bom, o Seu amor dura para sempre” (II Crónicas 5:13).
O santuário se encheu de uma nuvem – a presença de Deus. Ninguém foi capaz de ministrar porque a nuvem da glória de Deus era esmagadora, irresistível. Aparentemente, quando o povo se tornou um no louvor e adoração ao Pai, Ele veio até eles e tornou-Se um com eles.
Este “tornou-Se um” não aconteceu simplesmente. Houve necessidade de uma certa quantidade de esforço deliberado. Eles tiveram de preparar um lugar para a presença de Deus.
Os sacerdotes santificaram-se a si mesmos. Estudaram as leis concernentes ao transporte da arca. Ofereceram ofertas e sacrifícios demasiado grandes para serem contados. Prepararam e compuseram música com excelente perícia. Depois de tudo isto, eles tornaram-se um perante o Senhor.
No deserto, os filhos de Israel aprenderam a como louvar a Deus. Na batalha de Jericó aprenderam sobre o poder do louvor. Como nação jovem e crescente aprenderam os padrões do louvor.
No tabernáculo aprenderam a prioridade do louvor. E no templo tornaram-se um e experimentaram a presença de Deus através do louvor e adoração.
Jesus orou com referência ao poder da unidade, da singularidade: “Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti. Que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um como nós somos um: Eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste como também amaste a mim” (João 17:20-23).
Quando nos tornamos um, uns com os outros em Cristo, estamos então capazes de nos tornar um com Deus. Quando nos unimos a cantar louvores ao Pai, somos capazes de transcender todos os limites ou barreiras doutrinárias, culturais, raciais e políticas e dar-Lhe glória.
A minha oração é para que, todos nós no corpo de Cristo, santifiquemos as nossas vidas, vençamos as nossas divisões, possamos dar sem medida, desenvolvamos e ofereçamos os nossos talentos para a glória de Deus e nos tornemos um como adoradores do Deus Todo-Poderoso.
Talvez então experimentemos a presença do Senhor numa medida que ainda temos de conhecer.
Aprendamos a adorar a Deus com paixão e intensidade. Oro e creio que, tal como os filhos de Israel, também precisamos de aprender a louvar a Deus com um propósito, perícia e poder crescente – e a tornarmo-nos um no Senhor.

3 de abril de 2010

Motivação Empresarial e Profissional - Nº3 (Abril 2010)

O FRACASSO NÃO É O FIM


O sucesso não está baseado em “evitarmos” o fracasso, mas em “enfrentá-lo” correctamente. O William A. Ward disse: “O fracasso deve ser o nosso professor, não o nosso empresário. O fracasso é atraso, não derrota. É um desvio temporário, não uma estrada sem saída”.


Os líderes de sucesso não evitam o fracasso. “Lidam” com ele -- com sucesso. Durante anos, houve cinco ditados que me ajudaram a manter a atitude certa quanto ao fracasso, e creio que também o podem ajudar.


Foque-se no sucesso, não no fracasso


O livro de Provérbios, no Velho Testamento, diz-nos que a nossa maneira de pensar determina aquilo que somos: “pois como imaginou na sua alma, assim é...” (Provérbios 23:7). Assim, quando nos focamos no fracasso, na realidade arriscamos FAZER com que nós próprios fracassemos.


Há alguns anos, Os Voadores Wallendas, uma família de funâmbulos, conquistaram muita atenção por causa das suas proezas de desafio à morte. Mas em 1978 a tragédia aconteceu, quando com 73 anos, Karl Wallenda, o patriarca da família, caiu e morreu quando tentava andar sobre uma corda bamba entre dois edifícios em San Juan, Porto Rico.


O que muitas pessoas não sabem é que este homem de uma perícia incrível, que no passado tinha realizado com sucesso milhares de caminhadas na corda, passou os três meses antecedentes a essa tentativa a “pensar em cair”.


Um repórter de um jornal, escrevendo na altura da sua morte, comentava, “Quando o Karl Wallenda concentrou as suas energias em não cair, em vez de se concentrar no andar na corda bamba, ficou destinado a cair.”


Se gastar muito tempo a preocupar-se com o fracasso, você também, aumenta as suas chances de cair.


Trate os fracassos como amigos, não como inimigos


Muitas pessoas têm um medo mortal do fracasso. Vêem-no como o seu pior inimigo. Mas as pessoas com sucesso reconhecem que os fracassos - devidamente tratados - podem levar ao grande sucesso.


Elbert Hubbard disse: “Esforço constante e erros frequentes são os trampolins do génio”. Fracassos podem ser grandes experiências de aprendizagem. Como um líder, creio que tive mais fracassos do que a maioria das pessoas. Mas também tive muitos sucessos. Porquê? Porque para mim, “tentar” é mais importante do que “não falhar”. E quando cometo erros, uso-os como experiências de aprendizagem, perguntando: “O que fiz de errado, e como posso fazer melhor da próxima vez”?


Não tente esconder os seus erros. Admita-os, e depois aprenda e cresça com eles. Uma vez que terá fracassos, porque não tratá-los como os amigos que eles podem ser?


Olhe para o fracasso como momentâneo, não como monumento


O fracasso por vezes afecta as pessoas de uma forma tão negativa que os paraliza permanentemente. Em vez de tratarem o fracasso como a ocorrência momentânea que é, fazem dele um monumento permanente que impede o seu avanço.


O medo de fracassar no futuro, faz com que fracasse no presente. Não deixe que erros momentâneos o impossibilitem de um crescimento a longo termo.


Tenha fracassos bem sucedidos, não sucessos fracassados


Abraham Lincoln disse: “Sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.” E ele era um homem que conhecia a derrota. Nasceu na pobreza. A única instrução que teve, adquiriu-a sozinho. Fracassou nos negócios, e muitas vezes foi derrotado em funções públicas.


Com cada revés, Lincoln continuou a perseverar e a aprender com os seus erros. Em vez de ser um fracasso no sucesso, ele experimentou fracassos bem sucedidos. As experiências negativas não o impediram; ensinaram-lhe.


Olhe para os fracassos como novas oportunidades, não derrotas finais


O Apóstolo Paulo é um exemplo maravilhoso de alguém que enfrentou o fracasso positivamente. Em vez de olhar para a adversidade como derrota, ele acolhia-a como uma nova oportunidade.


Quando teve o naufrágio em Malta, ministrou às pessoas. Quando foi preso, viu isso como uma chance de pregar o evangelho. Tal como disse: “E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior avanço do evangelho” (Filipenses 1:12).


Quando as nossas atitudes são correctas, o fracasso na realidade ajuda-nos e melhora-nos. Dá-nos uma chance de vermos onde somos insuficientes, uma chance de mudarmos e de aprendermos mais sobre nós próprios e de como podemos crescer até ao nosso máximo potencial.


A verdadeira questão é que “não tentar” é o maior fracasso que alguém pode experimentar. Se não fizermos a tentativa, não podemos ter sucesso.


Devemos fazer a tentativa e tornarmo-nos o melhor que podemos naquilo que Deus nos está a chamar para fazer. E só faremos isso se colocarmos o fracasso na perspectiva correcta. O fracasso não tem de ser o final.


Poucas Palavras, Grandes Ensinamentos - Nº 4 (Abr. 2010

PARA HOMENS
  1. A maturidade não chega com a idade; ela chega com a aceitação da responsabilidade. (I Coríntios 13:11 - "Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava como menino. Mas logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino").
  2. Aprenda pela experiência - de preferência a dos outros. (I Coríntios 10:11 - "Tudo isto lhes aconteceu como exemplos, e estas coisas estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos").
  3. Existem determinados momentos em que o silêncio é de ouro; outras vezes é apenas amarelo. (Eclesiastes 3:1,7 - "Tudo tem o seu tempo determinado... tempo de estar calado, e tempo de falar").
  4. Nunca se sinta ferido por aquilo que não falou. (Provérbios 10:19 - "Na multidão de palavras não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente").
PARA MULHERES
  1. Quando chega ao fim das suas forças, deus está lá para tomar o seu lugar. (Hebreus 13:5 - "...porque Ele tem dito. De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei").
  2. "Posso perdoar, mas não posso esquecer" é apenas uma das maneiras de se dizer "Não perdoarei". O perdão tem de ser como um bilhete anulado, rasgado em duas partes e queimado, para nunca poder ser usado contra o outro. (Efésios 4:32 - "Antes, sede pois uns para com os outros, benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou").
  3. Seja como um selo postal - cole-se a algo até que ele chegue ao seu destino final. (I Coríntios 15:58 - "Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão").
  4. Não há maior amor do que aquele que se apega onde parece não haver nada mais em que se apegar. (I Coríntios 13:8 - "Todos os dons e poderes especiais que vêm de Deus terminarão um dia, porém o amor continuará para sempre. Algum dia a profecia, e o falar em línguas desconhecidas e a sabedoria especial - os dons desaparecerão").
PARA CASAIS
  1. A coisa mais importante que um pai pode fazer por seus filhos, é amar a mãe deles. (Efésios 5:25 - "Vós maridos, amai as vossas mulheres como Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela").
  2. Amar é desejar correr riscos para ver os sonhos de sua esposa se tornarem realidade. (I João 3:16 - "Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós. E devemos dar a nossa vida pelos irmãos").
  3. Nada supera o amor à primeira vista, excepto o amor com discernimento. (Provérbios 4:7 - "A sabedoria é suprema: portanto, adquire a sabedoria. Sim, com tudo o que possuis adquire o entendimento").
  4. A medida de uma pessoa não é feita pelo tamanho da sua fé, mas sim pelo tamanho do seu amor. (João 15:13 - "Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a própria vida pelos seus amigos").
PARA PAIS
  1. Há muitas formas de se medir o sucesso; uma delas é a forma como os filhos descrevem o seu pai, ao conversarem com os seus amigos. (Provérbios 16:6b - "E a glória dos filhos são os pais").
  2. Se você almeja que os seus filhos aceitem os seus valores quando alcançarem a adolescência, então devem ser merecedores do seu respeito durante a sua infância. (II Tessalonicenses 3:9 - "...mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes").
  3. As palavras de um pai são como um termostato que controla a temperatura da casa. (Provérbios 18:21 - "A morte e a vida estão no poder da língua, e aqueles que a amam comerão do seu fruto").
  4. Viva a verdade, em vez de professá-la. (Tiago 1:22 - "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos").
PARA MÃES
  1. Se é desejável que as crianças sejam bondosas, gratas, agradáveis, essas qualidades devem ser ensinadas - não esperadas. (Provérbios 6:23 - "Porque estes mandamentos são lâmpada, este ensino é luz, e as correcções da disciplina são o caminho da vida").
  2. O lar é o lugar onde o grande é pequeno e o pequeno é grande. (Mateus 19:30 - "Porém, muitos dos primeiros serão últimos, e muitos dos últimos, primeiros").
  3. As melhores coisas que pode dar aos seus filhos, além das boas maneiras, são as boas lembranças. (Provérbios 10:7 - "A memória do justo é abençoada...").
  4. Abraham Lincoln disse: Tudo o que sou ou espero ser devo à minha mãe. (Provérbios 19:20 - "Ouve o conselho, e recebe a instrução, para que sejas sábio nos teus últimos dias").


Como saber se está debaixo de Feitiçaria Espiritual

“Todo aquele que quiser fazer-se grande entre vós, seja vosso servo” (Mateus 20:26).


Os líderes espirituais são chamados por Deus para servirem o Seu povo, para os alimentarem e equiparem. No entanto, em alguns grupos cristãos - igrejas, organizações e até mesmo famílias - os líderes usam a sua autoridade para controlarem e dominarem outros, para“exercerem autoridade sobre eles”, conforme Jesus o descreveu (v. 25). Através do uso subtil das palavras “espirituais” certas, os membros são manipulados ou envergonhados para forçá-los a certos comportamentos que os induzem ao legalismo, culpa e serviço invejoso.

Este problema pode muito bem ser chamado de Feitiçaria ou Abuso Espiritual - códigos espirituais de normas escritas e não escritas, profundamente enraizadas, que escravizam os crentes a um sistema, a um líder ou a um padrão de actuação que consome a verdadeira vida espiritual. Os relacionamentos entre as pessoas em tais sistemas espiritualmente abusivos, quer seja em igrejas ou em outros ambientes cristãos, são normalmente ditados por algumas dinâmicas que passarei a descrever sucintamente. Igualmente darei algumas sugestões sobre o que deve fazer se se encontra apanhado num sistema que opera dessa maneira.


1. Postura de Poder


A postura de poder ocorre quando os líderes passam muito tempo focados na sua própria autoridade e a lembrar os outros acerca dela. Isso é necessário porque a sua autoridade espiritual não é real - é uma reivindicação vazia baseada em algo diferente do genuíno carácter divino que é a verdadeira base bíblica para a autoridade.

Aqueles que estão em posições de verdadeira liderança demonstram autoridade, poder espiritual e credibilidade através das suas vidas e mensagem. Se não o fazem, não são verdadeiros líderes. A razão porque é dada autoridade espiritual a qualquer um de nós é porque Deus nos tem guiado através de experiências reais da vida, pelas quais Ele Se tem revelado e à Sua Palavra como verdadeiros. Assim, a autoridade espiritual é vista naqueles que dizem: “Deus e a Sua Palavra são reais - tenho-os provado no meu ser. Sei que há esperança em Deus!”

O apóstolo Paulo disse aos seus seguidores: “Vós sois a nossa carta (de recomendação), escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens...o resultado do nosso ministério” (II Coríntios 3:2,3).

Ser contratado ou eleito para uma posição de liderança espiritual, ser o que fala mais alto ou o que dá mais, não dá autoridade a ninguém. Deus dá autoridade aos líderes para que possam edificar pessoas, servi-las, equipá-las e libertá-las para cumprirem a agenda de Deus - que pode ou não coincidir com a agenda pessoal das pessoas em liderança.


2. Preocupação com a Actuação


Os sistemas espirituais abusivos estão preocupados com a actuação dos seus membros. A obediência e submissão são duas palavras importantes usadas com frequência.

Deus ensina que primeiro Ele olha para o coração; Preocupa-Se que não façamos a coisa certa por todos os motivos errados. É verdade, é claro, que a obediência a Deus não é negociável. No entanto, a maneira de dizermos se as pessoas estão a fazer a coisa certa pelo motivo errado é vermos se estão a manter-se informados sobre isso.

Se a obediência e o serviço estão a fluir de si como um resultado da sua dependência apenas em Deus, não se manterá informado tendo em vista uma recompensa; fará apenas. Mas se está preocupado se tem feito o suficiente para agradar a Deus, então não estará a olhar para Ele - estará a olhar para as suas próprias palavras e ficará preocupado em saber quem mais está a olhar para si, avaliando-o.

A obediência e a submissão são importantes? Sem dúvida. A Escritura diz: "Obedecei a vossos guias, e submetei-vos a eles” (Heb. 13:17). Contudo, para trazermos equilíbrio, devemos acrescentar a esses versículos, uma passagem igualmente importante. Considere as palavras de Pedro e os outros apóstolos aos líderes religiosos a quem estava a desobedecer: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Actos 5:29).

Fora do contexto, a obediência aos líderes parece boa teologia. Acrescente o contexto maior e verá que é apenas apropriado obedecer e submeter-se à liderança quando a autoridade deles vem de Deus e a sua posição é consistente com a d’Ele.

Verdadeira submissão não é seguir ordens para evitar ser envergonhado, para ganhar a aprovação de alguém, ou para manter um status espiritual ou uma posição intacta na igreja. É apenas uma auto-busca complacente. Verdadeira obediência não pode ser simplesmente um comportamento legislado pelo exterior: deve vir de um coração que ama a Deus.

3. Normas não Faladas


Em sistemas espirituais abusivos, as vidas das pessoas são controladas de “fora para dentro” por normas, faladas e não faladas. Normas não faladas são aquelas que governam igrejas, organizações ou famílias, mas não são ditas em voz alta. Porque não são explícitas, não sabe que existem até as quebrar.

Por exemplo, ninguém numa reunião da igreja iria dizer em voz alta: “Sabe, nunca devemos discordar do pastor sobre os seus sermões - e se discordar nunca mais ninguém confiará em si e nunca lhe será permitido ministrar em qualquer área nesta igreja.” Neste caso, a norma não falada é: “Não discorde com as autoridades da igreja - especialmente o pastor - ou a sua lealdade será suspeita”.

Regras como esta permanecem não faladas porque examinando-as à luz de um diálogo maturo, iria instantaneamente revelar o quanto elas são ilógicas, doentias e anti-Cristãs. Assim o silêncio torna-se o muro da fortaleza de protecção, protegendo a posição de poder do pastor, do escrutínio ou desafio. Quebrar a regra, por outro lado, leva a uma de duas consequências: ou negligenciar (ser ignorado, deixarem passá-lo despercebido, evitado) ou legalismo agressivo (ser questionado, abertamente censurado, pedirem-lhe para sair - ou em casos extremos, ser mesmo amaldiçoado).

Expôr normas implícitas provoca tais reacções graves, porque a mais poderosa de todas as normas não faladas no sistema abusivo, é a que nós rotulamos de “não posso falar”. A maneira de pensar é assim: “O verdadeiro problema não pode ser exposto porque então teria que se lidar com ele e as coisas teriam de mudar. Por isso deve ser protegido atrás de muros de silêncio (negligenciar) ou por assalto (ataque legalista). Se falar sobre o problema em voz alta, você torna-se o problema. De alguma maneira, precisa de ser silenciado ou eliminado.”

Se tudo o que nos une é um acordo de fingimento, então temos nada mais do que uma paz e unidade ilusórias, com subcorrentes de tensão e calúnia. Isto está muito longe de se guardar “a unidade do Espírito no vínculo da paz”, a verdadeira indicação de igrejas cristãs saudáveis (veja Efésios 4:3).

4. Falta de Equilíbrio


A característica de um sistema espiritualmente abusivo é uma abordagem desequilibrada ao viver exteriorizando a verdade da vida cristã. Isto manifesta-se em dois extremos:

Objectivismo extremo: O primeiro extremo é uma abordagem empírica à vida, que eleva a verdade objectiva à exlusão de umaexperiência subjectiva válida. Isto vê-se em sistemas religiosos onde, mesmo embora a obra do Espírito Santo possa ser reconhecida teologicamente, a um nível prático, seria suspeita, ou mesmo negada.

Esta abordagem à espiritualidade cria um sistema no qual a autoridade se baseia apenas mais num nível de educação e intelectual, do que na intimidade com Deus, obediência e sensibilidade ao Espírito Santo. O sistema espiritual objectivo também limita Deus a agir apenas de certas maneiras que podemos explicar, provar ou experimentar. Resta-nos uma trindade de Deus o Pai, Deus o Filho e Deus a Bíblia Sagrada - como se entender e memorizar a Escritura fosse o único caminho para ouvir Deus.

Subjectivismo extremo: A outra manifestação de falta de equilíbrio é vista numa abordagem extremamente subjectiva da vida cristã. A verdade é elevada na base de sentimentos e experiências, dando mais peso a isso do que àquilo que a Bíblia declara. Neste sistema, as pessoas não podem saber ou entender verdades (mesmo que elas as entendam realmente e as conheçam) até que os líderes “as recebam através de revelação espiritual do Senhor” e as “transmitam” ao povo. Por isso torna-se mais importante agir segundo a palavra de um líder que tem uma “palavra” para si do que agir segundo o que sabe ser a verdade da Escritura, ou simplesmente da sua experiência pessoal.

Tal como com a abordagem ojectiva extrema, os Cristãos que são altamente subjectivos também têm uma ideia restrita da educação - a maior parte das vezes, que a educação é má ou desnecessária. Existe quase um orgulho por não ser educado e um desprezo por aqueles que são.


5. Paranóia


Na igreja ou família espiritualmente abusiva, há um sentimento - falado ou não falado - que os “de fora” não entendem de quê que se trata o grupo. “Não vamos permitir que saibam muito sobre nós,” dizem eles, “para que não possam ridicularizar-nos ou perseguir-nos.” Os “de dentro” partilham a presunção de que o que dizem, sabem ou fazem é o resultado de serem mais iluminados do que os outros. Por essa razão, concluem que os de fora entenderão mal e responderão negativamente a não ser que se tornem um do grupo.

Num lugar em que a autoridade é entendida e legislada, não simplesmente demonstrada, o medo da perseguição torna-se um pretexto para guardarem tudo dentro do sistema. Esta mentalidade constrói um forte muro-obstáculo à volta do sistema abusivo, isola os abusadores, do escrutínio e prestação de contas, e torna mais difícil para as pessoas sairem - porque depois serão também os de fora.

Embora seja verdade, claro, que há um mundo de maldade fora do sistema, as pessoas são levadas a pensar erradamente que aúnica segurança está no sistema. No entanto, ironicamente, ambos Jesus e Paulo avisaram que um dos maiores perigos para o rebanho, eram os lobos dentro de casa (Mateus 10:16; Actos 20:29,30).

Não somente esta paranóia espiritualizada faz com que seja difícil deixar o sistema; mas impede as pessoas de receberem a ajuda que necessitam. Quão triste, por exemplo, se ouvirmos que um pastor encobriu o abuso de uma criança numa das suas famílias da igreja, por causa de recear o “mau sistema de segurança social secular.” Não nos vamos nunca esquecer que uma das principais funções ao guiarmos o rebanho de Deus é procurarmos ajuda espiritual para as pessoas feridas - mesmo que signifique submetermo-nos a alguém que é perito numa área em que temos pouca ou nenhuma sabedoria.

6. Lealdade mal Aplicada


A característica seguinte do sistema espiritualmente abusivo é que fomentam e até exigem um sentido de lealdade mal aplicada. Não estamos a falar de lealdade a Cristo, mas acerca de lealdade a uma dada organização, igreja ou líder.

Mais uma vez, porque a autoridade é assumida ou lesgislada - e portanto não verdadeira - seguir também deve ser legislado. Isto é comumente realizado mediante a criação de um sistema em que a deslealdade a ou estar em desacordo com a liderança é o mesmo que desobedecer a Deus. Questionar os líderes é o mesmo que questionar Deus. Afinal de contas, algumas pessoas argumentam, o líder é a autoridade e a autoridade está sempre certa. Isto leva as pessoas a aplicarem mal a sua lealdade num líder, numa igreja ou numa organização. Mais uma vez, isto fortalece o muro à volta do sistema e faz com que seja mais difícil sair.

Três factores aqui que somam à lealdade mal aplicada:

“Somente nós estamos certos” - Os membros devem permanecer no sistema se querem estar “seguros”, ou ficar “em bons termos” com Deus, ou não serem vistos como estando errados ou “desviados”.

"Tácticas de medo" - Tenho aconselhado muitos cristãos que, depois de decidirem deixar uma determinada igreja, coisas horríveis lhes foram ditas. “Deus vai retirar o Seu Espírito de si e da sua família.” “Deus vai destruir o seu negócio.” “Sem a nossa protecção, Satanás vai apanhar os seus filhos.” Você e a sua família ficarão debaixo de maldição.” Isto é Feitiçaria ou Chantagem Espiritual que leva as pessoas a ficarem em lugares abusivos.

"Humilhação" - Indiscutivelmente, que a disciplina certa na igreja tem o seu lugar. Mas no sistema abusivo, a “deslealdade” perceptível mais do que o mau comportamento, normalmente, provoca a ameaça de ser exposto, humilhado ou removido, assegurando assim a submissão e isolando os que estão em autoridade. Fazem das pessoas exemplos públicos para enviarem uma mensagem aos que ainda permanecem. Podem até lançar campanhas impostoras contra elas para avisarem os seus amigos e outros no grupo de como elas são tão “perigosas”.

7. Reserva


Quando vê pessoas num sistema religioso serem reservadas (reticentes) - tenha cuidado. As pessoas não escondem o que é adequado; escondem o que é inadequado.

Uma das razões por que as igrejas, organizações e famílias espiritualmente abusivas são reservadas é porque são demasiado conscientes em relação à imagem. As pessoas neste sistema nem conseguem cumprir os seus próprios padrões de actuação, por isso têm de esconder o que é real. Alguns crêem que devem fazer isso para protegerem o bom nome de Deus. Por isso a maneira como as coisas parecem e aquilo que os outros pensam torna-se mais importante do que aquilo que é real. Tornam--se os “agentes de relações públicas” de Deus. Mas a verdade é que, Ele não está a contratar ninguém para essa posição.

Uma outra razão para a reserva numa igreja é que a liderança tem uma perspectiva condescendente, negativa da laicidade. Isto resulta em conspirações ao nível da liderança. Dizem para si próprios, “As pessoas não têm maturidade suficiente para aguentar a verdade.” Isto, no melhor dos casos, é condescendência.

Também se desenvolvem conspirações entre as pessoas leigas. Uma vez que não é bom notar ou falar dos problemas, as pessoas formam conspirações por trás de portas fechadas e ao telefone, ao tentarem resolver as coisas sem formalidades. Mas uma vez que não têm nenhuma autoridade, não se resolve realmente nada. E em todo o tempo, a edificação do verdadeiro Reino de Deus fica para trás.


Como se Libertar

Se se encontrar num sistema espiritualmente abusivo, o que pode fazer para se libertar? Primeiro, tem que chegar ao ponto em que entende que está a ser abusado espiritualmente e pedir ajuda. Segundo, precisa da renovação da mente porque num sentido real, espiritualmente levou uma lavagem ao cérebro. Por isso precisa de ser imerso na verdade bíblica de quem Deus realmente é e o que Ele fez para determinar a questão do seu valor e aceitação.

Para que isso aconteça, pode tomar um de dois rumos básicos: a fuga ou a luta. Não existe nenhuma lista nítida para o ajudar a decidir qual é a melhor opção; finalmente, terá que tomar atenção ao que se está a passar consigo e ao seu redor, e especialmente ouvir o que Deus lhe diz para fazer. As perguntas no final do artigo poderão ajudá-lo a clarificar o que Ele está a dizer.

Se decidir ficar, não seja ingénuo. Eis algum conselho sobre a luta que enfrentará:

Decida a quem irá servir. Não pode servir a Deus e ao Seu povo se a sua motivação principal for agradar os outros.

Esteja pronto para a resistência. A Bíblia diz-nos que a verdade normalmente se depara com a oposição e ameaças.

Continue a dizer a verdade. Essa é a melhor oportunidade que tem para quebrar os “códigos” fraudulentos que as pessoas têm para comunicar.

Saiba quem é o seu verdadeiro inimigo. As pessoas poderão ser usadas por Satanás, mas as pessoas não são o inimigo; Satanás é. “A nossa luta não é contra a carne e o sangue” (Efésios 6:12).

Agarre-se ao Sumo Pastor. Não é necessário ou útil deixar crescer em si uma ira agressiva; devemos depender de Deus para acertar as coisas. Agarre-se a Ele.

Confronte o fermento. O “fermento” de que Paulo nos avisou é o legalismo (veja Gálatas 5:9). Exponha--o.

Saiba como funciona um sistema espiritual saudável. Um sistema saudável é um corpo de muitos membros, todos com dons e necessidades, inter-relacionados e inter-dependentes uns dos outros. No centro do sistema está Jesus, o verdadeiro Cabeça.

Entretanto, deve experimentar relacionamentos seguros onde possa curar-se das suas feridas psicológicas e espirituais.Descubra amigos que entendam e fale-lhes disso. Arranje apoio. Nesse contexto saudável, pode receber permissão e oportunidades para praticar receber o seu sentido de identidade como uma dádiva de Jesus.

Acima de tudo, escute Deus. Isso poderá ser especialmente difícil porque o sistema espiritualmente abusivo do qual fez parte, provavelmente tentou impedir o seu ouvido espiritual. Mas Deus nunca o deixa ou abandona. Se escutar, Ele falará - e a Sua verdade o libertará das amarras do abuso espiritual.


SAIO OU FICO E LUTO?

Eis onze perguntas que deve fazer a si mesmo a fim de determinar se deve saír ou fugir de um sistema espiritualmente abusivo ou ficar e tentar mudá-lo.


Como escolhe entre a luta ou fuga? Faça as seguintes perguntas a si próprio. As suas respostas devem ajudar a clarificar o curso de acção que será melhor na sua situação.


1. Será que a graça tem alguma chance aqui? Porque Deus está no controlo, a graça sempre tem uma chance. Mas as situações nem sempre dão a volta.

2. Está a apoiar o que detesta? Está a contribuir com o seu tempo, dinheiro e energia para ajudar a manter algo que, para ser honesto, acha que está errado?

3. Precisa de estar certo? Está a usar a sua insistência de que está certo como um pretexto para ficar porque as outras pessoas estão erradas e elas é que deviam sair?

4. Pode ficar e ao mesmo tempo permanecer saudável? O sistema não merece que perca nem a sua saúde espiritual, psicológica e física, nem a da sua família.

5. Pode decidir os seus próprios limites e firmar-se a eles? Se ficar e lutar, precisa de determinar quanto de si está disposto a investir sem ver mudanças saudáveis. Estabeleça os seus limites, e arrange alguém fora do sistema a quem possa prestar contas.

6. Crê genuinamente que Deus Se preocupa mais com o sistema do que você? Se luta em se sentir responsável por consertar qualquer problema, terá dificuldade em deixar qualquer lugar onde os problemas não tenham sido resolvidos. Reconhece que Deus os pode consertar sem você?

7. É possível que o sistema possa precisar de morrer? Por vezes, Deus escreve “Ichabod” - “a glória do Senhor partiu” - dum sistema e sai.

8. Está a tentar ajudar o sistema, mesmo estando exausto? Se sim, não está mais a descansar em Deus.

9. É capaz de ouvir a voz da sanidade? Descubra as pessoas que deixaram o sistema mas que foram amáveis e graciosos quando o fizeram. Pode receber o que eles têm para dizer?

10. Sabe realmente onde semear? O sistema em que está a tentar “semear” é o verdadeiro bom solo ou o solo rochoso?

11. Se viesse hoje pela primeira vez, sabendo o que sabe agora sobre o sistema, ficaria? Se a resposta é não, então porque fica?