8 de novembro de 2010

Liderança Hoje - Nº 4 (Novembro 2010)

SECÇÃO 1
COMPETÊNCIA
FAZENDO MENOS, ALCANÇANDO MAIS

ENCONTRAR O SEU RITMO
Devotar um pouco de si mesmo a tudo, significa comprometer muito de si a nada.

Não há necessariamente uma correlação entre o quanto está ocupado e o quão produtivo é. Estar ocupado não é o mesmo que ser produtivo.

Provavelmente você está tão ocupado como sempre esteve. Mas isso significa que está a ser tão produtivo quanto é possível? Claro que não. Horários preenchidos raramente significam máximo da produtividade. De facto, eu poderia argumentar que o oposto é verdade. As pessoas mais produtivas que conheço parecem ter mais, não menos, tempo livre do que a média das pessoas. Elas controlam os seus horários em vez de permitir que os seus horários as controlem.

A observação e a análise confirmam que 20% dos nossos esforços resultam em 80% da nossa eficácia. Richard Koch, no seu trabalho inovador "O Princípio 80/20", documenta a importância desta relação:

"O Princípio 80/20" afirma que a minoria das causas, entradas ou esforços levam a uma maioria de resultados, saídas e recompensas. Literalmente, isto significa que, por exemplo, 80% daquilo que alcança no seu trabalho vem de 20% do tempo que gastou. Então para todos os propósitos práticos, quatro quintos dos esforços – uma parte dominante – é largamente irrelevante.

Se Richard Koch está certo, é imperativo descobrir quais os 20% daquilo que fazemos que gera os 80% da nossa produtividade. Tendo descoberto isto, devemos investir mais do nosso tempo e energia nessas actividades. Aí reside a chave para o máximo impacto como líder.

Há alguns anos atrás eu concluí que 80% da minha produtividade profissional vinha de três actividades:
  • Motivação corporativa
  • Comunicação corporativa
  • Desenvolvimento da liderança
Estas são as três coisas que me fazem mais valioso para a igreja que pastoreio e federação de igrejas e organizações que lidero. A minha competência nestas três áreas define o meu "sucesso" como pastor. Como pastor principal estas são as únicas três coisas que praticamente só eu posso fazer.
Com isto em mente, comecei a reorganizar e mudar as prioridades do meu horário à volta destas três coisas. Quase que dupliquei o tempo que me sento a preparar e avaliar uma pregação. Dediquei muito mais tempo ao desenvolvimento da equipa de equipa de liderança actual, bem como a treinar futuros líderes. Aumentei a percentagem do tempo da plataforma da manhã de domingo dedicada à motivação. Mais de 80% do meu tempo está agora focado apenas nestas três coisas que só eu posso fazer.

No meu tipo de trabalho, a maioria do meu sucesso depende de uma apresentação semanal de sessenta minutos referido na maioria dos casos como pregação. Não importa quantas horas trabalhei. Na maior parte das vezes, o meu sucesso depende da capacidade que tive ou não de entregar as boas novas no domingo de manhã. Uma semana de trabalho de 60 horas não compensa uma pregação pobre. As pessoas não aparecem ao domingo só porque sou um bom pastor (líder, pastor, conselheiro) ou bom homem. Ironicamente, as minhas capacidades pastorais não têm quase nada a ver com o meu sucesso como pastor! No meu mundo, são as minhas capacidades como comunicador que vão fazer a diferença. Então é aí que eu foco o meu tempo e na dependencia do Espírito Santo.

Para usar o paradigma de Koch, deve dedicar mais do teu tempo a 20% das actividades. Fazendo isto irá aumentar a sua produtividade e o seu valor para a sua igreja ou organização. A principal razão pela qual fazemos demasiado é porque nunca tomámos o tempo suficiente para descobrir aquela porção do que fazemos que faz a maior diferença.

As questões que coloco a seguir, têm o objectivo de o/a ajudar a descobrir as suas competências principais. Tire alguns minutos para fazer uma avaliação pessoal. Talvez seja útil tomar algumas notas à medida que vai trabalhando ao longo desta lista.
  1. O que é que faz quase sem esforço, de acordo com a sua perspectiva, mas parece ser uma tarefa difícil para os outros?
  2. Em que áreas as pessoas o/a consideram a pessoa a quem recorrer?
  3. O que é que gosta no seu emprego actual?
  4. Que coisas desejava poder delegar?
  5. O que é que faz que levanta mais louvores e reconhecimento dos outros?
  6. Em que ambientes anseia vir a trabalhar?
  7. Que ambientes evita?
  8. Que tipo de conselho as pessoas lhe pedem?
  9. Se pudesse focar mais do seu tempo e da sua atenção em um ou dois aspectos do seu emprego, quais seriam eles?
A auto-avaliação é um passo necessário na descoberta das suas principais competências. Mas não é o suficiente. Ninguém é completamente objectivo acerca de si mesmo. Por essa razão, será sábio, ao envolver outras pessoas neste processo. Escolha duas ou três pessoas que o/a conheçam bem e que lideram outros, e peça-lhes para responderem a estas questões sobre si:

1. Se eu viesse trabalhar de graça para vós...
  • Onde é que eu iria adicionar mais valor?
  • Onde queriam que eu focasse a minha atenção?
  • Onde teria mais chances de ter sucesso?
  • Em que área ou áreas iriam assegurar-se de que eu não me envolvesse?
2. No ambiente do meu trabalho actual, onde é que vêem um desalinhamento entre as minhas competências principais e as minhas responsabilidades?

3. Se pudessem aconselhar o meu patrão em como fazer melhor uso de mim, o que lhe aconselhariam?

4. Estão conscientes das áreas na minha vida onde existe um desalinhamento entre a minha paixão e a minha competência?
O terceiro projecto que pode fazer para ajudar a descobrir os seus pontos fortes, é desenvolver duas descrições de empregos para si. O primeiro deve reflectir a realidade actual. O segundo, a descrição do seu emprego ideal.
Imagine por um momento que vai trabalhar para o seu patrão durante os próximos dois anos. Como ajustaria a sua descrição actual de emprego para se posicionar onde adicionaria mais valor à organização? Como poderia o seu patrão fazer melhor uso de si? Quais dos seus talentos não estão a ser usados na sua totalidade, no momento?
Uma vez que tenha completado este projecto, apresente-o ao seu patrão. A resposta dele irá mostrar-lhe muita coisa sobre o seu futuro naquela organização. Se o seu chefe é sábio, irá ver a sua iniciativa como uma oportunidade potencial de realinhar as coisas para aumentar a produtividade. Essencialmente,  gastou tempo e esforço tentando melhorar tanto a produtividade dele como a sua. Se o seu patrão se sente ameaçado pelo seu propósito, isso indica que provavelmente ele colocou o seu interesse pessoal acima do interesse corporativo. Se esse é o caso, pode querer começar a procurar outro ambiente no qual investir os seus talentos.
Se o seu empregador lhe vai pagar de qualquer modo, é melhor ele retirar de si o maior valor que puder. Ninguém beneficia com o desalinhamento organizacional. O desalinhamento é caro. Resulta em desgaste desnecessário, pessoalmente e corporativamente.
Quanto a nós, líderes, seria bom criarmos todos o hábito de perguntar aos nossos colaboradores, as seguintes questões: “O que quer fazer? Como o/a posso ajudar a alcançar uma maior satisfação dentro desta organização? Onde é que as suas capacidades não estão a ser usadas da melhor maneira? Como o/a posso ajudar a focar mais do seu tempo e energia na(s) coisa(s) relacionadas com as suas competências principais bem como adicionar valor a esta organização?”
Por causa do meu relacionamento com a nossa equipa de liderança, sinto-me confortável em falar-lhes sobre aquilo em que estão interessados para além das paredes do Centro Cristão Vida Abundante. Estou cercado por vários líderes que poderiam partir em qualquer direcção e terem sucesso. Se sentirem a necessidade de investir os seus talentos noutro lugar, eu não quero que eles escondam isso de mim por medo ou culpa. Quero que sintam que podem contar comigo para os apoiar em qualquer novo empreendimento que sintam seguir. Ao fim ao cabo, as atitudes com que se fazem as coisas são sempre o mais importante. Quer seja positivo, quer seja negativo.
Numa das minhas conversas com a minha equipa de liderança local, desafiei-os a partilharem o que sentiam ser a vontade de Deus para eles. A resposta foi esmagadora. Eu não fui suficientemente esperto para antecipar que estava a dar autorização à equipa para expressarem algumas coisas que andavam a pensar mas que não tinham a certeza se seriam bem recebidas.
Nós sabemos quando estamos a ser mal empregues. Sabemos quando os nossos talentos e esforços estão a ser mal empregues. O que não sabemos é o quanto os nossos líderes estão abertos para ouvir sobre isto. Como resultado desta tarefa fizemos algumas mudanças significativas que trouxeram um melhor alinhamento para a toda a equipa. Mais ainda, tropeçámos numa nova ferramenta pela qual descobrimos aquilo que as nossas pessoas pensavam e sentiam.
Agora, se é um empregador, pode estar a pensar: Não será isto perigoso? Não tem medo de perder os seus melhores trabalhadores? Não está preocupado com a estabilidade e futuro sucesso da sua organização? A resposta a estas três questões é Não. Primeiro que tudo, eles não são os “seus” trabalhadores. Segundo, não é a “sua” organização. Além disso, se saírem, "eu vou com eles"! De qualquer modo, eventualmente eles irão sair. Eu apenas tenho aprendido que é melhor lançar as pessoas do que perdê-las.
Adicionalmente à sua descrição de trabalho desenhada à volta do seu emprego actual, desenvolva o que consideraria ser a melhor descrição possível de trabalho. Isto é apenas para ser visto por si. O alvo deste exercício é ajudá-lo a identificar o lugar onde se sentiria mais produtivo e consequentemente com mais sucesso. Sonhe um pouco.
E se pudesse fazer qualquer coisa e trabalhar noutro lugar? O que faria? Onde iria fazê-lo? Com quem trabalharia? Vá em frente, escreva-o. Claro que pode parecer irrealista do lugar onde se encontra agora. Mas as visões parecem sempre irrealistas quando são primeiramente lançadas. Esta é uma visão, não um plano.
Organize a visão do seu emprego de sonho à volta de duas coisas: área e responsabilidades.

1. À luz dos seus pontos fortes, pontos fracos, dons e paixões, descreva a área ideal de trabalho.

  • Com que tipo de pessoas gostaria de trabalhar?
  • Quereria trabalhar como parte duma equipa ou sozinho?
  • Quereria viajar? Se sim, quanto?
  • Gostaria duma área altamente estruturada?
  • Trabalharia melhor numa área com uma estrutura mais liberal?
2. À luz dos seus pontos fortes, pontos fracos, dons e paixões, por que tipo de coisas gostarias de ser responsável?

  • Vê-se a si mesmo na organização, nas vendas ou na publicidade?
  • Gostaria de trabalhar com números, pessoas ou ambas as coisas?
  • Que tipo de tarefas gostaria de fazer face?
  • Gostaria dum emprego que exigisse muita escrita?
  • Gostaria dum emprego que exigisse capacidades orais?
A razão deste exercício ser tanto saudável como útil é que lhe permite pensar puramente em termos das suas paixões e habilidades. Começar com uma página em branco é libertador. Também pode ser intimidador. Nós ansiamos por estrutura e fronteiras. Mas as fronteiras podem tornar-se paredes. As fronteiras fazem com que nos apresentemos diminuídos.

Tire algum tempo para desenvolver uma curta descrição de trabalho que acredite ir ajudá-lo a focar-se nas suas competências principais. Esses parágrafos irão servir como sua visão profissional – uma espécie de bússola. A próxima vez que for a uma entrevista de trabalho terá uma referência pela qual pode medir a adequação do emprego para o qual está a ser entrevistado.

No início desta secção, declarei que, como líder, não deve estar preocupado sobre estar bem rodeado. Em vez disso deve edificar sobre os seus talentos e delegar tudo o resto. Quando faz isto, o resultado é uma organização competente que reflecte os seus pontos fortes e não os seus pontos fracos. Ajudar aqueles que estão à sua volta a descobrirem as suas competências principais e depois posicioná-los em conformidade com isso assegura que a sua organização pode funcionar ao mais alto nível.

Mencionei anteriormente que é melhor eu ficar afastado do planeamento de eventos. Isto não é uma coisa que eu faça bem. No entanto, a nossa igreja tem sido conhecida por receber e produzir eventos de qualidade. Porquê? Porque ao me afastar (e ficar afastado!) dessa área, criei oportunidades para pessoas que são dotadas nessa área prosperarem. Como resultado disso, as pessoas estão constantemente a felicitarem-me por facetas da nossa igreja pelas quais eu não tive nada a ver.

Para desenvolver uma equipa competente, ajude os líderes da sua organização a descobrir quais são as suas competências de liderança e delegue de acordo com isso. Há várias maneiras de fazer isto:

1. Faça uma lista das pessoas chave e escreva qual a sua percepção do seu valor para a organização. Depois de ter feito isto, avalie as suas descrições de trabalho, colocando a si mesmo a seguinte questão: “Como é que posso libertar mais tempo delas para fazerem as coisas que aumentam mais valor à organização"?
2. Encoraje a sua equipa a reescrever a descrição de trabalho actual com o alvo de refocar o tempo deles em coisas que eles fazem melhor.
3. Leve as pessoas chave através duma discussão dos princípios debatidos nestes três artigos.
4. Crie oportunidades para a sua equipa discutir melhores formas de aproveitar ao máximo as suas capacidades.
Ter as pessoas certas nas posições certas é essencial para o seu sucesso e para o sucesso da sua organização.
Há alturas em que se deve lançar a fazer coisas que estão fora das suas competências principais. Mas essas ocasiões devem ser escolhidas estrategicamente, e devem ser uma excepção, e não uma regra.
Por vezes afasto-me temporária e estrategicamente da área onde aumento mais valor corporativamente, e entro numa área onde a minha apreciação é sentida pessoalmente. Aparecer por algum tempo nalguma tarefa fora da minha área de competência, envia uma mensagem a todos os colaboradores sobre o significado da minha contribuição individual. Tornando-me “num dos trabalhadores” durante um tempo, aumenta a minha influência sobre aqueles que me seguem quando regresso ao fato e à gravata ( se for esse o caso).
Dentro do contexto das suas actuais responsabilidades e competências principais, que precisa de acontecer para libertar a maior parte do seu tempo para fazer aquilo que só você pode fazer? Que pode fazer para expandir os seus 20% para 80%? Segundo as palavras dos apóstolos, que está a fazer agora que “não é certo”? O que é que está a ser negligenciado porque o seu tempo está a ser consumido por coisas que caem fora das suas competências principais?
À medida que se aproxima do ideal, irá tornar-se cada vez mais valioso para a sua organização. À medida que estreita o seu foco, irá alargar as oportunidades para aqueles que escolheram segui-lo. De acordo com Stephen Covey, "delegar, é talvez a mais poderosa alavanca da actividade mais proveitosa que existe". Há pessoas que gostam daquilo que você detesta. Fortaleça a sua equipa, libertando-os para fazerem aquilo que só eles podem fazer. Dessa maneira irá assegurar que a sua organização reflecte os seus pontos fortes bem como os pontos fortes daqueles que o rodeiam.
O Desafio da Próxima Geração
1. Qual é a sua definição de sucesso na sua situação profissional actual?
2. Há alinhamento entre as suas competências principais e as competências necessárias para ser bem sucedido no seu emprego?
3. O que mudaria na sua descrição de trabalho se lhe dessem liberdade de se focar apenas nas duas ou três coisas que faz melhor?
4. O que seria necessário mudar na sua situação profissional actual de modo a focar-se nas coisas que adicionariam mais valor à sua organização?

1 comentário:

  1. Quero dar os parabéns por esta rubrica ,sobre competência,liderança ,no trabalho ,esta muito bom e só pode vir de uma pessoa cheia da sabedoria de DEUS e do amor de JESUS e do poder do ESPÍRITO SANTO,mostra o respeito pelas pessoas,que tudo o que tem não é dele,nem o ministério, nem as pessoas que estão a trabalhar com esse ministério,e da valor ao ser humano,valorizando-o, sentindo-se com valor que faz falta,e que é importante a verdade,que se ele quer começar um trabalho de DEUS,pode contar com o líder,que maravilhoso ,esta união que devia existir em todas as lideranças ,que JESUS continue a abençoar em todas as áreas.

    ResponderEliminar