2 de agosto de 2010

O que sente pelo dinheiro?

Já alguma vez parou para pensar sobre o que sente pelo dinheiro? A maioria das pessoas nunca o fez.

Sabe que 99% das pessoas possuem 1% do dinheiro? Pode dizer isto de outra forma: 1% das pessoas, possuem 99% da riqueza mundial.

Como é que isso o faz sentir? Você faz parte dos 1% ou é parte dos 99%?

Já alguma vez experimentou sentimentos negativos contra alguém de quem gosta quando este lhe compra um presente caro? Já alguma vez sentiu ira ou frustração quando olha para o seu salário e vê que ganha 1000 € mas só leva para casa 800 €?

Muitas pessoas já se habituaram ao facto de que os nossos impostos saem directamente do nosso salário. Mas eu lembro-me do choeque e sentimentos que tive da primeira vez que recebi o meu primeiro salário. Senti-me chocado e infeliz! "Não posso fazer isto", "não posso ter aquilo", "não posso ir lá", "não posso ver aquilo". Porquê? Porque não tinha o dinheiro suficiente.

Para alguns, as palavras "não podes ter aquilo", significa que não podem ter um Lamborghini ou Mercedes. Para outros, significa que não podem ir ao dentista, por isso, terão de passar toda a sua vida com dentes tortos e as expressões faciais que os acompanham.

Para alguns, "não podes fazer aquilo" significa que não poderão ir numa viagem de sonho ou comprar a casa com que sempre sonharam. Mas para outros, significa que não podem ir à Universidade ou dar um presente de Natal aos seus filhos.

Como é que isto o faz sentir?

A maioria das pessoas odeia dinheiro. Desejariam não ser necessário o uso do dinheiro, ficando zangadas quando têm de pagar contas ou frustradas quando se lembram de todas as despesas que têm. Todas as contas e investimentos (principalmente os mais elevados) trazem com eles as memórias emocionais de sermos enganados, roubados ou mal informados.

Não se sinta mal. 90% das pessoas na terra têm sentimentos negativos àcerca do dinheiro, e essa é, creio eu, a razão principal porque não têm mais dinheiro. Não suportam pensar nele, e, quando o fazem, amaldiçoam-no e rejeitam-no. O resultado é que o dinheiro "foge" dessas pessoas.

Deus, por meio da Sua Palavra, ensina-nos que o amor ao dinheiro é a raíz de todos os males. Eu compreendo isso. Não devemos amar o dinheiro. Não devemos amontoar dinheiro e agir como miseráveis, de forma a rebolarmo-nos nele de dia e a contá-lo de noite. Mas temos de aprender a celebrar o facto de termos dinheiro e a cuidar dele de forma correcta, porque é preciso - e sempre será - para fazermos o que devemos fazer, e possuír o que devemos possuír.

Pense nisto desta forma: Quando celebramos alguma coisa, tomamos conta dessa coisa. Algumas pessoas são capazes de cuidar dos carros e mantê-los impecáveis ao longo de décadas. As pessoas que louvam a Deus pelos seus filhos e cuidam deles, gostam de estar ao pé deles. Uma equipa bem estimada é feliz e mantém-se junta. Um animal de estimação bem cuidado é geralmente um animal amistoso. Um animal de estimação que não tem atenção, pode tornar-se mau e até perigoso.

O dinheiro é semelhante a esse animal doméstico (eu não quero dizer cônjuge, mas um cônjuge negligenciado pode causar-lhe dor e desconforto). Tome conta do seu dinheiro e este crescerá e será bom para si. Se negligenciar o seu dinheiro, ele irá causar-lhe problemas graves ou até poderá deixar de o ter.

Como cristãos, é-nos ordenado na Sua Palavra que sejamos doadores. Que possamos dar ofertas e sejamos fiéis a devolver a Deus o que Lhe pertence - os nossos dízimos. Mas neste processo, o mais importante é que guardemos os nossos corações porque não é Deus quem recebe directamente o dinheiro. Ele não precisa de dinheiro. Ele recebe o amor e a obediência que supostamente acompanha o dinheiro. Ele recebe as atitudes dos nossos corações. As Escrituras ensinam-nos que devemos louvar a Deus com o nosso dinheiro. É-nos ensinado a termos uma atitude de reverência para com Deus quando levamos os nossos presentes até Ele. Muitos de nós fazemos isto, e quando o acabamos de fazer odiamos o dinheiro porque agora temos uma falta que nos causa dor. Ficamos perturbados porque não temos mais para dar ou porque não temos o que precisamos para ir onde queremos. Nunca é suficiente.

Deixe-me fazer-lhe esta pergunta: "Não é suficiente para quê"?

Lembre-se disto: Não interessa se você tem mesmo muito pouco, é sempre suficiente para dar para Deus. Pode dar a Deus um presente de uma quantia qualquer. Se o seu coração está correcto, Ele não deixará de lhe dar o retorno. Ele nunca olha para a quantia. Ele olha para a atitude do coração.

Só o facto de Jesus receber um presente seu, deveria entusiasmá-lo. Deveria ser motivo para celebração. Ele deu-nos a capacidade para dar, e quanto mais celebramos essa capacidade em nós próprios, melhores seremos. Estaremos melhor equipados para o fazer.

Nós temos o que falamos. E somos bons naquilo que fazemos consistentemente. Comece a levar a sério os tempos de oferta, porque é nesta altura que as nossas atitudes determinam se vamos pertencer aos 99% ou ao restante. Celebre o dinheiro que tem e vai começar a atraí-lo. Cuide dele como de uma semente preciosa. Continue a ficar frustrado, zangado ou revoltado e o dinheiro fugirá de si.

Amados, desejo que prosperem, assim como bem vai a vossa alma. Oro para que hoje creiam que podem todas as coisas através de Cristo, que vos fortalece, e que todas as coisas vos são acrescentadas ao buscarem diligentemente o Seu Reino e a Sua Justiça.

4 comentários:

  1. Parabens pelo blog
    gostei. fala um pouco de tudo o que diz respeito a vida no dia a dia como cidadao. ser cristao nao e so fazer parte de uma denominaçao, mas sim o que aprendemos nela praticarmos no dia a dia.
    bravo pastor
    (Jota seixas)

    ResponderEliminar
  2. Então o que dizer dos milhões de cristãos que vivem debaixo de perseguição e que vivem francamente em pobreza? Estão a falhar?
    "Celebre o dinheiro que tem e vai começar a atraí-lo. Cuide dele como de uma semente preciosa. Continue a ficar frustrado, zangado ou revoltado e o dinheiro fugirá de si." Este tipo de afirmações só se adequa na nossa confortável sociedade ocidental.

    Continue o trabalho e persista na corrida. Que Deus o abençoe.

    Ana

    ResponderEliminar
  3. Ana, obrigado pelo seu comentário e pela reflexão k me fez fazer novamente sobre o tema em questão.
    O que procurei transmitir aqui, são princípios bíblicos e a nossa atitude perante o dinheiro e não apenas frases que se adequam à nossa confortável sociedade ocidental.
    Em primeiro, deixe-me tornar claro que, não sou defensor, nem da "Teologia da Pobreza" nem da "Teologia da Prosperidade" mas sim da "Teologia da Mordomia". Com isto acrescento que, acredito que os principios bíblicos, quando aplicados, funcionam em qualquer sociedade e independentemente da sua condição financeira.
    Presido uma ONGD cristã, que trabalha em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, para além de Portugal. Trabalhamos com casos de pobreza extrema. Já fiz parte de programas alimentares em Africa. Durante anos a nossa Associação alimentou 3500 crianças diariamente quando houve guerra em Angola. Colaborou com outras organizações cristãs (nomeadamente o Jesus Alive Ministries) que alimentava na altura 75000 crianças em Moçambique (e hoje ainda o faz em Angola e noutras nações a milhares de crianças). Estive em lugares, onde chorei por ver tanta miséria e quando me sentava à mesa, não conseguir comer por me lembrar dos desperdícios da nossa sociedade (e até nas nossas casas). Considero que não são muitos os que passaram por esta experiência, que nos deixa marcas. Visitei hospitais, estive em aldeias, bairros degradados, etc! Chorei muitas vezes (os homens também choram).
    Mas também estive em lugares, onde essas mesmas pessoas pobres, traziam, quando na igreja, as suas ofertas e dízimos (bananas, milho, arroz, farinha, cana do açucar, etc), cantando e dançando e dando testemunho como Deus supria todas as suas necessidades (não excentricidades ou desejos desmedidos).
    Creio que há uma diferença entre os que são filhos de Deus e os que não são. Uns sabem que Deus não os deixará mendigar o pão, outros vivem sem essa esperança. O que fazer então?
    Creio que cabe à Igreja ensinar os princípios bíblicos a todos e trazer reforma a esta sociedade distante de Deus.
    Em breve colocarei na secção "Cidadania e Política" um artigo "Participates ou Alienados" que trará um pouco mais de luz, sobre a minha posição. Há cristãos em muitas partes do mundo que não vivem como nós, mas "não vivem francamente em pobreza"... Deus não os deixa mendigar o pão!
    Africa tem-me ajudado a ver, que no meio de situações de pobreza extrema, vale a pena ser um filho de Deus. Nora-se em muitas aldeias...
    Obrigado pelo comentário e espero que tenha ajudado, nas suas questões!

    ResponderEliminar
  4. Às vezes estamos mais a seguir doutrinas humanistas, do que a Palavra de Deus. Por isso assumimos uma postura contra aqueles que têm dinheiro ( e ter dinheiro não é um mal, mas amar o dinheiro sim) e nos colocamos no lado dos pobres, mas só em palavras e não em acções. Todos podemos fazer algo. Se formos "bons mordomos", quer os que têm mais, quer os que têm menos, saberão dar uso ao seu dinheiro de acordo com os princípios da Palavra.

    ResponderEliminar