26 de abril de 2010

Liderança Hoje - Nº 2 (Abril 2010)

SECÇÃO 1
COMPETÊNCIA
FAZENDO MENOS, ALCANÇANDO MAIS

TRABALHANDO DEMASIADO

É tão natural, como necessário, que os jovens líderes tentem provar-se a si mesmos fazendo tudo por eles próprios. É natural porque, como líderes querem marcar o ritmo assim como demonstrar que nada nem ninguém os pode suplantar. É necessário porque a maior parte das vezes ninguém está por perto para os ajudar. Mas o que inicialmente pode parecer natural e necessário, ulteriormente pode limitar a sua eficácia.
Provavelmente, dois dos maiores segredos que se devem guardar sobre liderança, são:
  1. Quanto menos fazemos, mais alcançamos.
  2. Quanto menos fazemos, mais capacitamos outros a alcançarem.
Enquanto fui um jovem líder, um dos meus maiores erros foi permitir que o meu tempo fosse consumido por coisas que estavam fora das minhas áreas de competencia. Dediquei muito dos meus primeiros anos como pastor, a coisas para as quais não tinha qualquer dom - coisas em que nunca seria bom ou capaz. Ao mesmo tempo, investi muito pouco da minha energia em desenvolver as minhas fortalezas.
Creio que sou um bom comunicador. Mas não sou assim um grande administrador. Creio que sou um bom visionário. Mas não sou nada tão bom no pedido de prestação de contas. Creio que sei preparar uma mensagem. Mas não penso que seja um grande preparador de eventos. Isto não significa que não seja capaz de fazer aquilo onde não sou tão capaz, mas o que quero realçar é que, foi muito pouco o que fiz para melhorar as minhas capacidades de comunicador. Ao contrário, gastei muito tempo a tentar tornar-me num bom administrador e planeador de eventos. O tempo que deveria ser gasto para desenvolver as minhas fortalezas foi gasto em inúmeras coisas nas quais era fraco.
O problema era que ao longo da caminhada, o mito "para se ser um bom líder tem de se ser bom em tudo" foi-se desenvolvendo dentro de mim. Por isso vivi debaixo da suposição que tinha de tornar as minhas fraquezas em fortalezas. Mas a questão que se coloca é: "Depois de tudo, vocês seguiriam um líder que não esteja bem rodeado"?
Trabalhava arduamente, mais do que qualquer um à minha volta, mas não trabalhava de forma sábia. Somente tentava provar de que era capaz. Não demorou muito tempo até perceber que tinha de me rodear das pessoas que eram fortes, nas áreas onde eu era fraco. E isso determinou crescimento e a atracção de mais pessoas comprometidas com a mesma causa. As coisas onde era fraco, tornaram-se oportunidades para outros.
Como resultado, comecei a comunicar mais e a planear menos os eventos. Comecei a investir mais tempo a desenvolver a visão, missão e estratégia e menos tempo em resolver problemas. Comecei a ser mais proactivo em relação às coisas que permitia no meu calendário. Comecei a ser mais orientado para a missão do que para a necessidade. Tudo isto ainda é um processo em crescimento no meu ministério, mas quero partilhar com todos os jovens líderes o que já aprendi.

Faz somente o que só tu podes fazer

Isto pode soar-vos muito pouco realista ou até provocar um sorriso, mas logo que ultrapassarem a improbabilidade deste axioma, sentem-se e escrevam.
Quais são as duas ou três coisas que vocês, e só vocês são responsáveis por fazer? Específicamente, o que é que vos foi designado fazer? O que é "ser bem sucedido" para uma pessoa na vossa posição?
Vamos reduzir isto ainda mais. Das duas ou três coisas que vocês definem "ser bem sucedido", quais são aquelas que estão em consonância com os vossos dons? Das coisas que vos têm sido pedidas para fazer, para quais delas são vocês específicamente dotados?
É aí onde devem focar a vossa atenção e energias. É aí onde se devem suplantar. É nessas coisas onde vocês acrescentarão valor ao vosso ministério, igreja ou organização e serão bem sucedidos. E melhor ainda, vocês gostarão do que estão a fazer.
"Impossível" dirão alguns. "Não posso concentrar somente as minhas energias numa percentagem das muitas responsabilidades que tenho". Talvez isso não seja ainda possível, mas têm de começar a identificar as áreas onde terão maior probabilidade de serem bem sucedidos. Têm de dar a conhecer quais são essas áreas. Não podem fazer "tiro ao alvo", até que o identifiquem. Estamos aqui a falar de uma mentalidade, uma perspectiva, uma forma de pensar. Isto é uma visão. Isto é algo onde devem trabalçhar para maximizar o vosso potencial como líderes.
No momento em que um líder sai da esfera das suas competências, a sua eficácia como líder diminui. Devotem o vosso tempo às coisas em que são naturalmente dotados. Isso vai atraír até vós, pessoas com um nível inferior de liderança, ou até do mesmo nível, se se sentem seguros, e isso contribuirá para o sucesso de todos.
Por se tratar de uma área onde se trava uma batalha entre a mente e o coração, deixem-me identificar os cinco maiores obstáculos a enfrentar, ao adoptar-se esta forma de pensar:

I - A BUSCA DO EQUILÍBRIO - A primeira coisa que impede a próxima geração de líderes de alcançarem o máximo do seu potencial e desenvolverem as suas áreas de fortaleza, é a ideia de "serem equilibrados" - no contexto de que têm de fazer ou saber de tudo um pouco para que sejam considerados bons líderes, quando na realidade o mais importante é o "foco".
Organizacionalmente, devemos lutar pelo equilíbrio, mas não é realista lutar-se por ser equilibrado dentro da esfera das nossas capacidades pessoais de liderança. Lutar pelo "equilíbrio" força um líder a investir tempo e energia em aspectos da liderança onde nunca será capaz de se suplantar. Se esta mentalidade existe, rouba a oportunidade de outros manifestarem os seus dons e talentos.
O meu contexto de liderança é a igreja local e as igrejas e organizações debaixo da minha supervisão apostólica. Em lugar de perder o meu tempo procurando fazer tudo, é minha missão treinar e mentorear os diferentes membros das equipas ministeriais. O foco não é, eu "ser equilibrado" nas minhas capacidades de liderança, mas sim, que o Centro Cristão Vida Abundante (local, nacional e internacionalmente) "seja equilibrado", tendo pessoas que desenvolvem o máximo do seu potencial e acrescentam valor ao ministério. Se assim acontece, a excelência será notada.
Não lutem por ser "líderes equilibrados", mas descubram a vossa zona e área de fortaleza e depois deleguem tudo o mais.

II - FALHA EM DISTINGUIR ENTRE AUTORIDADE E COMPETÊNCIA - A segunda razão pela qual os líderes nem sempre trabalham as suas fortalezas é porque ainda não distinguiram a diferença entre autoridade e competência. Quando exercemos a nossa autoridade numa área onde temos falta de competência, podemos anular projectos e desmotivar aqueles que possuem o saber que não temos.
Tenho autoridade para num domingo qualquer aproximar-me da equipa dos técnicos de som que trabalham na igreja e desferir uma série de ordens. O facto de não perceber nada do assunto, não diminui em nada a minha autoridade. Eventualmente, a equipa fará o que lhes peço para fazerem. Mas toda a produção sofreria terrívelmente. Se fizer isso todos os domingos, o mais certo é que toda a equipa se retire.
Não há necessidade de se tornarem entendidos ou mesmo compreenderem cada componente da vossa organização. Se tentarem exercer autoridade dentro de um departamento que está fora das vossas competências, impedirão tudo e todos debaixo da vossa supervisão. Se falharem em destinguir entre autoridade e competência, exercerão a vossa influencia de forma que prejudicará os projectos e as pessoas.

III - INCAPACIDADE DE DISTINGUIR ENTRE COMPETÊNCIAS E INCOMPETÊNCIAS - Líderes bem sucedidos numa determinada área, com frequência assumem que são competentes noutras áreas nas quais não têm competência alguma. Como resultado, podem perder oportunidades de "subir o nível" das suas fortalezas. Sucesso é intoxicante e pessoas intoxicadas não têm uma boa visão da realidade. Líderes bem sucedidos tendem a assumir que as suas competências são mais vastas do que na realidade são.
Pior ainda, quanto mais bem sucedido um indivíduo é, menor é o número daqueles que trazem essa realidade para ele. Consequentemente, um líder considerado uma sumidade numa área, é muitas vezes tratado como sendo um entendido noutras.
Líderes que não estão conscientes das suas áreas fracas sentem que são tão bons como qualquer outra pessoa na sua organização/igreja. Alguns têm até comprado a ideia falsa de que, grandes líderes não têm fraquezas (áreas fracas). Nas suas mentes, admitir fraquezas é diminuir a sua eficiência e eficácia. Tais líderes tendem a esconder as suas fraquezas. Requer uma certa quantidade de segurança pessoal admitir fraquezas. E a verdade é que, admitir fraquezas é um sinal de fortaleza. Admitir a fraqueza não torna o líder menos eficaz. Antes pelo contrário, em muitos casos é simplesmente a forma de expressar que ele compreende aquilo que cada um já sabe há muito. Quando admitem as vossas fraquezas diante da equipa, nunca é informação nova.

IV - CULPA - Alguns líderes não trabalham as suas fortalezas porque sentem culpa de delegar as suas fraquezas. É aqui onde por vezes luto. Assumo que todos os outros odeiam fazer as coisas que odeio fazer. Durante anos senti culpa em delegar coisas nas quais não queria estar envolvido. Levou algum tempo até compreender que muitos da equipa que me rodeava, sentiam revitalizados a fazer aquilo que me tirava a vida.
Como disse anteriormente, preparar um evento não é uma das minhas áreas fortes. Não é que desconheça totalmente como se faz, mas sempre foi demasiado stressante para mim. Mas porque assumia incorrectamente que na equipa ninguém gostava de fazer tal coisa, achava que fazia um favor a todos quando gastava horas e horas a prepará-los detalhadamente.
Afortunadamente, para mim e para toda a igreja, descobri que muitos viam estimulada a sua adrenalina quando o faziam.
Lembrem-se, todos na organização/igreja beneficiarão quando delegarem responsabilidades que estão fora das vossas competências. As vossas fraquezas são as oportunidades de outros.

V - INDISPONIBILIDADE PARA DESENVOLVER OUTROS LÍDERES - Há uma certa ponta de verdade no adágio - "Se o queres bem feito, fá-lo tu mesmo". Por vezes é realmente mais fácil e representa menos tempo consumido, fazermos nós mesmos do que treinar alguém para o fazer. Mas liderança nem sempre tem a ver com fazer as coisas "certas". Liderança tem a ver com ter as coisas feitas através de outras pessoas. Muitos líderes perdem a oportunidade de trabalhar as suas fortalezas porque se esquecem que grandes líderes trabalham através de outros. Liderança tem a ver com a multiplicação dos vossos esforços, que automáticamente multiplicam os vossos resultados.
Stephen R. Covey no seu livro "Os 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes" disse:"Alcançamos tudo o que fazemos através da delegação - seja tempo ou a outras pessoas... Transferir responsabilidades a outras pessoas dotadas e treinadas, capacita-nos a entregar as nossas energias a outras actividades de nível superior. Delegação significa crescimento, seja para os indíviduos como para as organizações".
Quando nos queixamos de não ter à nossa volta pessoas capazes ou competentes a quem delegar, é tempo de olharmos para o espelho! Nunca podemos esquecer que as pessoas que nos seguem estão exactamente no lugar onde as conduzimos. Se não há ninguém a quem possamos delegar, muito provávelmente a falta é nossa e temos de nos dispor a "buscar e treinar novos líderes".

Muitos exemplos na história subscrevem a centralidade destes princípios de liderança. Foi a aplicação prudente dos mesmos que levou a Igreja Primitiva a consolidar os seus ganhos e a capitalizar o seu crescimento explosivo, sem perder o foco ou o momentum.





7 comentários:

  1. Excelente artigo.....Gostei imenso!!!
    Bjinhos e que Deus o continue a abençoar ricamente! Loide

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  2. Optimos pricipios que verdadeiramente nos ajudam em cada dia.. Excelente, gostei muito Pastor.
    Muito obrigado..Bencaos.

    John Gaspar

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  3. Gostei mesmo muito! Muita coisa já concordava, outras passei a conhecer melhor e a concordar!
    Bruno Nunes

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  4. Muito bom. Vem de acordo com aquilo que eu penso.
    Jonatas Rafael Lopes

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  5. Obrigado por não se esquecer dos mais novos e de investir em nós...

    Que Deus nos ajude a retribuir o que você está a fazer, pela nossa geração...um abraço...

    António Pinto

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  6. Aconselharam-me ler este post,
    realmente está muito bom
    Concordo
    Eu quero focar-me também naquilo que são as minhas áreas de competência, sem esquecer de participar nas outras.
    Tudo uma questão de equilibrio e sabedoria.
    A questão é procurar a sabedoria de Deus acima de tudo e não fazer as nossas vontades ou as vontades que nos são impostas.

    Gostei
    Bjs

    Priscila

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  7. Muito bom , obrigado por me abrir os olhos. inteligente é aquele que aprende com os proprios erros , sabio é aquele que aprende com os erros dos outros, já não vou atempo de ser sabia mas sei que muitos podem vir a ser. Deus te abençoe.

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