23 de abril de 2010

Do Deserto ao Templo




Maturidade na Adoração: O Que A Igreja Pode Aprender dos Filhos de Israel


Na sua caminhada do deserto ao templo, os israelitas progrediram na sua compreensão do desígnio de Deus quanto ao louvor e adoração. As lições que aprenderam nessa estrada para a maturidade são igualmente críticas para a igreja hoje.
Creio que aquilo que vou escrever neste artigo é de extrema importância para todos os cristãos. À medida que crescem no seu conhecimento e relação com Deus, são também responsáveis por amadurecerem no desenvolvimento das suas expressões de louvor e adoração.
É com isto em mente que analisaremos as Escrituras e veremos como a experiência de louvor e adoração progrediu na sua revelação e expressão, à medida que os israelitas caminharam do deserto até ao templo.
1. O Deserto – Antes do Êxodo, Israel tinha sido um povo em escravidão, sem cânticos de louvor nos seus lábios – sem obras poderosas sobre as quais cantar. Eles lastimavam-se e clamavam a Deus sobre as condições em que viviam. Só depois de Deus os ter libertado, aberto o Mar Vermelho e ter-lhes permitido atravessá-lo a pé enxuto, é que vemos a primeira referência do seu louvor a Deus, em Êxodo 15:20,21. Depois do Senhor ter demonstrado o Seu grande poder, Moisés escreveu um cântico, recontando todos os grandes feitos de Deus. Miriam e as outras mulheres tomaram os tamborins – provavelmente os únicos instrumentos que tinham – dançaram e cantaram o cântico que Moisés escrevera.
Finalmente! Tinham um cântico para entoar. Tinham um Campeão, um Libertador, um Deus que tinha demonstrado um poder maior do que o poder da mais terrível e temida nação à face da terra.
Deus estava agradado e recebeu a sua oferta de louvor. Eles cantaram a única canção de louvor que conheciam, aquela que Moisés escrevera. Eles regozijaram-se e celebraram à medida que recitavam as obras e feitos poderosos do seu Libertador.
2. A Terra Prometida – Em Josué 6:2-5, à medida que os israelitas enfrentaram os seus inimigos em Jericó, o Senhor deu instruções específicas acerca de como o Seu povo devia louvá-l’O e isso, permitiu-Lhe mostrar o Seu poder e habilidade poderosa.
Apesar de terem visto muitas coisas fora do comum nos seus 40 anos no deserto, estavam agora a ser chamados para fazer algo ainda mais anormal em termos estratégico-militares: marcharem silenciosamente à volta da cidade até que os seus inimigos ficassem tontos, para então os aterrorizarem com música e gritos de louvor, até que os muros da cidade caíssem.
Depois de atravessarem o Mar Vermelho foi-lhes dada uma razão para louvarem o seu Deus. Após a entrada na Terra Prometida foi-lhes enviado o poder do louvor.
No deserto, as mulheres aparentemente entraram de forma espontânea em cânticos e danças. Na experiência em Jericó, cinco novos elementos foram acrescentados à experiência de louvor:
  • OBEDIÊNCIA – O exército tinha de obedecer cuidadosamente às ordens de Josué.
  • ORDEM – Eles tiveram de marchar seis dias à volta das muralhas, sem falarem uma só palavra. Não podiam expressar qualquer dúvida, medo ou insatisfação. (Lembre-se que essas foram as razões porque os seus pais não puderam entrar na terra prometida).
  • OUSADIA – Sem olhar para o que o inimigo podia pensar, os guerreiros corajosamente se posicionaram à frente e atrás da Arca e dos sacerdotes, demonstrando a sua confiança em Deus.
  • MÚSICA INSTRUMENTAL ESPECÍFICA – Deus chamou o Seu povo para tocar a trombeta – um instrumento mais sofisticado que os tamborins – à medida que saíam para a batalha. Aparentemente, tocar os tamborins não era suficiente para a missão que tinham em mãos.
  • CHAMADA – As mulheres cantaram e dançaram, mas Deus convocou os Seus guerreiros para tocarem as trombetas e gritarem altos louvores, declarando que o Senhor lhes tinha dado a cidade.
3. A Nação de Israel – Em I Crónicas 15:16, o Senhor novamente deu instruções específicas acerca do tipo de instrumentos e cantores que deveriam acompanhar a Sua presença: “Disse David aos chefes dos levitas que constituíssem a seus irmãos, cantores, para que, com instrumentos de música, com alaúdes, harpas e címbalos, se fizessem ouvir e levantassem a voz com alegria.”
Os cantores e músicos eram agora indicados de acordo com o seu nível de capacidade. Estavam também instruídos nos tipos de cânticos que cantariam e quais os instrumentos que usariam.
Todo o povo de Israel foi convidado para fazer parte da celebração processional e enquanto o rei David e os sacerdotes aprenderam que a presença de Deus (representada pela Arca do Concerto) não era algo para ser tratado de forma leve ou casual, todos eram agora bem vindos a entrar na presença de Deus. Foi durante este período que ofertas, sacrifícios, vestimentas, música e dança foram reconhecidos como tendo um lugar próprio na adoração.
Em I Crónicas 15:26,27, David demonstrou a mais esbanjadora expressão de louvor e adoração que a nação já vira. Ele foi até ao extremo para servir a Deus com cada dom e habilidade que tinha e usou os talentos e perícia do povo da nação. Obviamente, à medida que a nação amadureceu e se desenvolveu, Deus esperou que o Seu povo crescesse na sua expressão de adoração a Ele.
4. O Tabernáculo – Em I Crónicas 16:4-6, quando a arca foi colocada no tabernáculo, o rei David indicou músicos talentosos para ministrarem regularmente perante o Senhor. Ao fazê-lo estava a permitir aos filhos de Israel saberem que o louvor e a adoração não seriam mais um evento social; deveriam ser um estilo de vida contínuo.
David escreveu cânticos e encorajou os músicos e cantores talentosos a escreverem canções que glorificassem a Deus. Ele desafiou-os a não serem letárgicos (apáticos) ou preguiçosos, mas a erguerem as suas mãos no santuário e a bendizerem ao Senhor.
No tabernáculo mosaico, somente o sumo-sacerdote tinha acesso ao Santo dos Santos. Mas agora, todos os sacerdotes que ministravam no santuário, podiam entrar na presença de Deus.
5. O Templo – Na cerimónia de dedicação do novo templo (II Crónicas 5), o rei Salomão ordenou grandes ofertas e sacrifícios. Ele comissionou cantores e músicos para produzirem e apresentarem a maior apresentação que a nação já tinha visto.
As Escrituras dizem que havia 120 trompetistas, juntos com muitos cantores seleccionados. Vestidos com os seus atavios sacerdotais, eles cantaram e tocaram em uníssono, proclamando “Ele é bom, o Seu amor dura para sempre” (II Crónicas 5:13).
O santuário se encheu de uma nuvem – a presença de Deus. Ninguém foi capaz de ministrar porque a nuvem da glória de Deus era esmagadora, irresistível. Aparentemente, quando o povo se tornou um no louvor e adoração ao Pai, Ele veio até eles e tornou-Se um com eles.
Este “tornou-Se um” não aconteceu simplesmente. Houve necessidade de uma certa quantidade de esforço deliberado. Eles tiveram de preparar um lugar para a presença de Deus.
Os sacerdotes santificaram-se a si mesmos. Estudaram as leis concernentes ao transporte da arca. Ofereceram ofertas e sacrifícios demasiado grandes para serem contados. Prepararam e compuseram música com excelente perícia. Depois de tudo isto, eles tornaram-se um perante o Senhor.
No deserto, os filhos de Israel aprenderam a como louvar a Deus. Na batalha de Jericó aprenderam sobre o poder do louvor. Como nação jovem e crescente aprenderam os padrões do louvor.
No tabernáculo aprenderam a prioridade do louvor. E no templo tornaram-se um e experimentaram a presença de Deus através do louvor e adoração.
Jesus orou com referência ao poder da unidade, da singularidade: “Eu não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um como tu, ó Pai, o és em mim e eu em ti. Que eles também sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes dei a glória que tu me deste, para que sejam um como nós somos um: Eu neles, e tu em mim, para que sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste como também amaste a mim” (João 17:20-23).
Quando nos tornamos um, uns com os outros em Cristo, estamos então capazes de nos tornar um com Deus. Quando nos unimos a cantar louvores ao Pai, somos capazes de transcender todos os limites ou barreiras doutrinárias, culturais, raciais e políticas e dar-Lhe glória.
A minha oração é para que, todos nós no corpo de Cristo, santifiquemos as nossas vidas, vençamos as nossas divisões, possamos dar sem medida, desenvolvamos e ofereçamos os nossos talentos para a glória de Deus e nos tornemos um como adoradores do Deus Todo-Poderoso.
Talvez então experimentemos a presença do Senhor numa medida que ainda temos de conhecer.
Aprendamos a adorar a Deus com paixão e intensidade. Oro e creio que, tal como os filhos de Israel, também precisamos de aprender a louvar a Deus com um propósito, perícia e poder crescente – e a tornarmo-nos um no Senhor.

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