12 de janeiro de 2010

Alguém precisa de nós

Dar um sentido à nossa vida cristã. Será isso necessário? Será que nós o perdemos? Se olharmos para o panorama à nossa frente vemos que há uma grande necessidade de mostrarmos aos outros e a nós mesmos que a nossa vida tem sentido. Que ela tem uma razão de ser. Mesmo entre os cristãos, há uma necessidade desta descoberta.

A verdade é que muitos não conhecem um sentido para o seu viver porque na maior parte das vezes vivem uma fé abstracta: pensam que amam a Deus, que amam o próximo, que amam os parentes, enfim, que amam a todos, mas na realidade do dia a dia, tudo é diferente. Porque as coisas bonitas que dizem não são transformadas em ACTOS. E nisto ficam sem ter sentido para as suas vidas.

A parábola do “Bom Samaritano” é exemplar (Lucas 10:25-37): O homem assaltado era judeu e, como mandava a lei, deveria ser socorrido pelo primeiro judeu que por ele passasse.

No entanto, passou por ele um sacerdote e qual foi a sua atitude? “...vendo-o, passou de largo” (Lucas 10:31b). Logo de seguida, um levita (da tribo de Levi, pertencente à classe sacerdotal), passa por ele e repete o gesto: “De igual modo também um levita chegou àquele lugar e, vendo-o, passou de largo” (Lucas 10:32).

Por último, passou um samaritano (que na época eram inimigos ferrenhos dos judeus) que imediatamente lhe presta socorro, sem se preocupar com a sua nacionalidade, aparência ou possíveis consequências do seu gesto.

De propósito, Jesus mostra duas pessoas profundamente religiosas, ortodoxas (os judeus consideravam os samaritanos como heréticos e os outros povos como gentios sem fé e eles, como únicos adoradores de Deus – à semelhança de muitos “religiosos de hoje” que consideram o mesmo de outros cristãos) como sendo insensíveis e sem disposição para amar e servir ao próximo. Por outro lado, Ele aponta um “herético” como capaz de entender o sentido do amor divino, e por causa dele, ajudar um necessitado.

Esta foi uma advertência para o doutor da lei que O procurou, mas pode também ser para muitos, porque nem sempre, apesar da sua religiosidade e consagração, são capazes de transformar “o amor verbal” em atitudes concretas e eficazes.

AS PRISÕES QUE CONSTRUÍMOS

O amor, a paz, a misericórdia e todos os frutos do Espírito só sobrevivem se lhe dermos espaço. É como aquele passarinho que quando colocado numa gaiola, não canta mais.

Muitas vezes, são construídas “gaiolas” para esconder nelas o amor, a misericórdia e a mansidão. E com elas, vidas são aprisionadas.

No entanto, é Jesus que nos ensina: “Não será assim entre vós. Pelo contrário, todo aquele que entre vós quiser tornar-se grande (ter um sentido e uma razão de vida) seja vosso servo. E quem dentre vós quiser ser o primeiro, seja vosso escravo” (Mateus 20:26,27).

Quando tentamos mostrar as nossas qualidades, as nossas grandes virtudes, que somos os “maiores”, construímos prisões para tudo o que poderíamos fazer.

O SENTIDO DA NOSSA VIDA

Descobrir o sentido da nossa vida, é colocar os nossos desejos e amor em prática. Jesus ensina-nos que devemos praticar o amor, principalmente no serviço – em servir o próximo. Não há razão para a nossa existência se nós não a usarmos para servir aqueles que nos rodeiam.

Sabendo disso, precisamos organizar as nossas vidas para o serviço. Se assim fizermos estaremos capacitados para transformar os nossos projectos e intenções em atitudes concretas.

UM MODELO DE SERVIÇO

Como agir? Uma análise criteriosa do modo de agir de Jesus e da comunidade cristã primitiva, mostra-nos que o modelo de acção por eles vivido, poderia ser reduzido em três verbos: VER (conhecer a realidade), ANALISAR (criticar esta realidade), e FAZER (concretizar as nossas intenções).

VER – A percepção dos que precisam de nós:

O ver deve ser a percepção da realidade que existe ao nosso redor. O Cristão não pode deixar de observar a situação dos homens que se encontram no mesmo mundo onde ele vive. Afinal, como o próprio Jesus afirma, apesar de não sermos do mundo, estamos nele.

Ver, por outro lado, não pode ser simplesmente um exercício de olhar. É necessário perceber, através de uma visão crítica, os defeitos, as injustiças e as distorções da nossa sociedade e do “mundo” por ela construído. Esta visão crítica, vai exigir de nós um pleno conhecimento do homem (da sua natureza, caractarísticas e estrutura), da sociedade (sua formação, modo de organização e instituições). De posse desse conhecimento, estaremos aptos para dar o segundo passo, ou seja, a conjugar o segundo verbo.

ANALISAR – A interpretação das necessidades:

Depois de nos tornarmos conhecedores da realidade em que vivemos, devemos analisá-la de forma critica: Por que é que ela é assim? Ou em termos práticos: Por que é que a nossa sociedade é injusta? O que faz com que os homens se corrompam? Quais as razões que levam o homem a agir displicentemente em relação ao sofrimento alheio? Será que há imposições externas?

Com a análise pronta, teremos condições de escolher qual será o nosso modo de fazer. Pois de acordo com cada situação específica, teremos diferentes opções de acção.

FAZER – A prática que satisfaz as necessidades:

Conhecemos a realidade. Sabemos o porquê dela ser assim. Saberemos então o que fazer! A nossa acção será eficaz, porque será a solução exacta do problema. Não teremos dificuldades em discernir qual o melhor modelo de acção: a nossa própria experiência nos dirá.

OS INSTRUMENTOS DE SERVIÇO

Somos instrumentos de Deus para a melhoria, regeneração e salvação deste mundo. Entretanto, devemos usar outros meios que nos permitam agir assim. Eles são:

  • Um conhecimento profundo da Bíblia e de como Deus se revelou ao Homem.
  • Um igual conhecimento da história da igreja cristã e de como nossos irmãos agiram nas diversas circunstâncias.
  • Um conhecimento cuidado da nossa igreja, bem como de nós mesmos, de nossas experiências e realizações.

Usando estes meios, podemos descobrir, ajudar e salvar os que precisam de nós.

Alguém precisa de nós! Você duvida?

2 comentários:

  1. Infelizmente é assim, esses sao os que Deus chama de normos, mas Ele espera os que sao fervorosos no Reino de Deus.
    Carla Almeida

    ResponderEliminar
  2. Maria João Fernandes13 de janeiro de 2010 às 17:12

    Uma boa Palavra, repleta de Vida e Significado! Acredito que não estaríamos neste mundo se não fosse para vivermos pelos outros e para os outros. Desta forma - e só desta forma - estaremos a viver para nós também!
    ... E é tão gratificante! :)

    ResponderEliminar