26 de outubro de 2009

Os Filhos e o Mandato de Domínio (Parte 2)

A Promessa da Fertilidade

Uma das promessas que Deus manifesta para aqueles que O amam e guardam o Seu Concerto é a da fertilidade em relação à sua geração. Na lista de bênçãos e maldições em Deuteronomio 28 a bênção da fertilidade é declarada para todos os que guardam os Seus mandamentos e ouvem a voz do Senhor (v.11), enquanto que a maldição da estirilidade é declarada sobre todos os que não cuidam em cumprir os Seus mandamentos e estatutos (v.18). Salmo 127 diz que "os filhos são a herança do Senhor e o fruto do ventre o seu galardão" (v.3), e depois declara que "bem-aventurado é o homem que enche deles a sua aljava" (v.5). O Salmo 128 começa por afirmar que o homem que teme ao Senhor é bem-aventurado, enumerando de seguida que uma das bênçãos de tal homem é "a tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa" (v.3). É significativo notar que ambos, Deutoronomio 28:11 e Salmo 128:3 usam o termo fertilidade em referência a ter-se muitos filhos. Quando se compara a bênção original da criação quanto à frutificação com a prometida bênção de fertilidade para os homens e mulheres que guardam o concerto do Senhor, é lógico concluír que a bênção da promessa divina de fertilidade é um dado adquirido da bênção original de frutificação para aqueles que guardam o concerto deDeus. E visto que a promessa original de frutificação tinha o propósito de secumprir o Mandato de Domínio, é também razoável concluír que a promessa divina de fertilidade incluiu o mesmo propósito - cumprir o Mandato de Domínio. Ao outorgar ao Seu povo a fertilidade Deus está a capacitá-lo para cumprir o Mandato original de Domínio.

A melhor compreensão para esta conexão surge, quando consideramos o amplo ensino bíblico do Mandato de Domínio. Primeiro, o Mandato de Domínio não é dado aos que quebram o concerto, mas somente aos que o guardam. O Mandato original foi dado a Adão e Eva antes da Queda quando permaneciam em comunhão com Deus. O Mandato de Domínio foi igualmente dado a Noé e aos seus filhos depois do Dilúvio (Génesis 9:1-3), tal como foi dado aos que guardavam o Seu concerto e estatutos. O Mandato de Domínio é igualmente referido por Davíd (Salmo 8) à medida que reflecte sobre o progresso dos guardas da aliança em ter domínio na terra, uma terra cheia com homens que estão em rebelião contra Deus e que, em vez de tomarem domínio e desenvolverem culturas de justiça para Deus, estão a tomar domínio para Satanás (e seus servos) e a desenvolver culturas perversas. Davíd olha para este mundo e vê que a maldade e imoralidade abundam e que todas as coisas não estão debaixo dos pés (sujeitas) dos guardas da aliança. Segundo, do Novo Testamento (Hebreus 2:6-8) aprendemos que as palavras de Davíd são proféticas e apontam para Aquele que pode colocar todas as coisas debaixo do domínio e governo dos homens justos, Jesus Cristo. O Mandato de Domínio é cumprido em Jesus Cristo e em todos aqueles que estão em concerto com Ele pela fé. Cristo conquista o pecado e Satanás, restaura a justiça aos homens e dá-lhes a Palavra de Deus e o Espírito Santo para que possam cumprir o Mandato original de Domínio de governar a terra em justiça como representantes de Deus e desenvolver todo o potencial da terra para a glória de Deus o Pai. A Cristo - o Homem Justo - é dado domínio sobre toda a terra pelo Pai, e em retorno, Ele dá a autoridade para o domínio ao Seu povo (Apocalipse 2:26,27).

Portanto, visto que o Mandato original de Domínio ainda existe; visto que o Mandato de Domínio somente pode ser cumprido pelos guardas da aliança; visto que a bênção da fertilidade em relação a cumprir o Mandato de Domínio é feita aos que guardam o concerto; então, o que daí resulta é que a fertilidade na procriação é ainda um aspecto vital do Mandato de Domínio, e o mandamento para o povo de Deus ainda permanece: "Frutificai e Multiplicai-vos".

Domínio através da Fertilidade

A importância da frutificação para o domínio do povo de aliança é ilustrada na nação de Israel enquanto no Egipto. Quando Israel foi para o Egipto eram aproximadamente 70 pessoas. Quando saíu do Egipto 400 anos mais tarde era uma nação com alguns milhões. A nação nasceu drásticamente (Êxodo 2:7). O crescimento foi tão espectacular que o Faraó decidiu limitar o seu número através da aflição e da morte à nascença do primogénito macho de cada família (Êxodo 2:9-11). Mas todo este plano falhou (Êxodo 2:12-20). O crescimento da nação hebraica era essencial para o plano de Deus. De acordo com a promessa, Canaã tinha sido dada a Israel, mas a mesma era habitada por muitas nações perversas. Se Israel tinha de conquistar a terra e possuí-la, tinha de igualmente ser uma grande e numerosa nação. Israel só podia o ter domínio da terra se as famílias se multiplicassem e fossem frutíferas para que os homens a conquistassem e as famílias a habitassem. O Mandato de Domínio para Israel em Canaã necessitou da frutificação das suas famílias.

O Mandato de Domínio para a Igreja também apela à frutificação das famílias da Igreja. As Escrituras referem os filhos como essenciais para a continuidade da aliança e propagação do Reino de Deus, e a frutificação entre o povo do concerto é ainda um aspecto vital do Mandato de Domínio. À medida que os Cristãos têm famílias numerosas e treinam os seus filhos no temor do Senhor, o Reino de Deus avança de forma irresistível. Quando temos casais Cristãos que são abençoados com filhos, os ensinam na lei de Deus e os responsabilizam para submeterem todas as esferas da vida à autoridade de Cristo e da Sua Palavra, o Mandato de Domínio está no processo de ser cumprido. Os filhos são como flechas nas mãos de um guerreiro (Salmo 127:4) atiradas para o meio da guerra cultural entre aqueles que querem exercer domínio piedoso e aqueles que promovem a perversidade; quantas mais flechas forem disparadas nesta guerra, maior é o avanço da justiça.

Sei que pode ser controverso, mas comparem a taxa de natalidade nos países muçulmanos e a taxa de natalidade nos países cristãos. Normalmente, uma família muçulmana tem em média 7 filhos. Se cada um dos seus 7 filhos tiver 7 filhos cada e assim por diante até à 5ª geração, deixam uma descendência de 19 607 pessoas. Se uma família cristã tiver 2 filhos, e os seus 2 filhos tiverem 2 filhos cada e assim por diante até 5 gerações, terão deixado uma descendência de 60 pessoas. Resultado: Muçulmanos 19 607; Cristãos 60; e isto considerando só duas famílias.

Este assunto de gerar filhos, não é uma negação da importância do evangelismo na Igreja para o seu crescimento e cumprimento do Mandato de Domínio, mas é a colocação de um ênfase que creio necessário nos dias de hoje para as famílias cristãs, mostrando-lhes que, a frutificação é importantíssima para o avanço do Reino de Deus. A redescoberta desta verdade bíblica tem grandes implicações numa era em que o aborto e o contolo de natalidade são a norma. As famílias cristãs poderiam numa questão de tempo mudar o panorama político e social da nação.

Conclusão
O Mandato de Domínio consiste de três mandamentos específicos: Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a. Se o Mandato de Domínio ainda é actual, e nós reconstrucionistas cremos que sim, então estes três mandamentos ainda hoje são actuais. Deus ainda chama o Seu povo para ser frutífero (não só ganhando pessoas para Cristo mas também gerando filhos) a fim de que o Mandato de Domínio seja concretizado. Se pregamos à Igreja "tenham domínio", também devemos pregar aos casais da mesma "crescei e multiplicai-vos". Os dois não podem legitimamente ser separados, pois o domínio não pode ser concretizado sem frutificação.

Frutificação é o resultado da bênção divina. É um dom que nos é dado por Deus para Sua glória e nosso benefício. Os filhos são a recompensa do Senhor e uma dádiva do Seu amor. Se temos absorvido a filosofia deste mundo concernente a famílias sem filhos ou com um número muito limitado, tyalvez em humildade nos devamos arrepender perante Deus, buscar o Seu perdão e o dom da frutificação. Se o nosso tempo de frutificação já passou, busquemos na mesma o Seu perdão e invistamos nos nossos filhos e netos a serem bem sucedidos onde temos falhado e os encorajemos a buscarem a bênção de Deus de modo a terem famílias com vários filhos.

17 de outubro de 2009

Os Filhos e o Mandato de Domínio (Parte 1)

Apesar de toda a retórica relacionada com os direitos das crianças e a sua importância, a perspectiva moderna sobre as crianças é bastante negativa. Uma evidencia clara disto é a opinião reinante de que a família ideal é uma família pequena com um ou dois filhos. Aqueles que mais fazem ouvir a sua voz na defesa da importância das crianças e a necessidade do estado assegurar a educação e a saúde do "nosso mais importante recurso natural" são os mesmos que advogam o "direito" de matar crianças não nascidas através do aborto e a necessidade de limitar o número do nascimento de crianças através do "planeamento familiar" e programas de controlo da população. Se "as nossas crianças" são o nosso mais importante recurso, porque necessitamos de ir até ao ponto de impedir a concepção e limitar o número de nascimentos? A China é conhecida pela sua regra de "uma criança por família", uma regra promovida pela propaganda, controlo de natalidade e aborto, e reforçada pela lei. Mas pouco considerada é a regra não oficial de "duas crianças por família" existente no Ocidente, promovida pela propaganda, controlo de natalidade e aborto, embora não apoiada pela lei.

Contrastando com a atitude prevalecente anti-crianças dos nossos dias está a mensagem positiva da Bíblia em relação à bênção e importância das crianças. Enquanto que o pensamento dominante decreta que a família com uma ou duas crianças é melhor, o ensino das Escrituras é de que, uma família grande (com muitos filhos) é abençoada pelo Senhor. O facto triste, contudo, é que a igreja evangélica moderna (incluíndo o segmento Reformado) tem estado mais disposto a alinhar com as perspectivas do homem em vez de alinhar com as perspectivas de Deus neste assunto. Mas nós que buscamos uma reconstrução Cristã da sociedade através do estabelecimento do domínio de Cristo em todas as esferas da vida, precisamos rejeitar o pensamento daqueles que nos rodeiam, e buscar ser inteiramente Bíblicos na nossa visão das crianças. Os reconstrucionistas cristãos precisam de pensar claramente em relação à importância das crianças e famílias grandes com respeito ao mandato de domínio e tarefa de recosntruír a nossa cultura a fim de que viva em submissão a Cristo e à Sua Lei-Palavra.

Frutificai e Multiplicai

Em Génesis 1:26-28 temos o registo da criação do homem no sexto dia da semana da criação. No versiculo 26, o propósito de Deus é estabelecido: criar o homem à Sua imagem e dar-lhe domínio sobre toda a terra e todo o ser vivente. No versículo 27, a actual criação do homem, macho e fêmea, à imagem de Deus é recordada. No versículo 28, Deus ordena que o homem tenha domínio sobre toda a terra e tudo o que nela existe. O Mandato de Domínio é dado duas vezes ao homem no espaço de três versículos. Primeiro, o Senhor realça que é Sua vontade compartilhar a Sua imagem com o homem e que este governe sobre a terra como Seu representante. Deus disse: "Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre a terra e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra" (Génesis 1:26). O verbo hebraico "ter domínio" (radah) significa governar, subjugar, ter superioridade sobre, ou tomar posse de, e é aqui traduzido por "domine" para expressar a natureza imperativa da construção hebraica. Então, o versículo 26 enfatiza a vontade de Deus para o homem. Segundo, o Senhor ordena específicamente ao homem que tenha domínio sobre a terra. Ele diz: "Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra e sujeitai-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre todas as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra" (Génesis 1:28). O Mandato de Domínio é aqui expresso por dois imperativos "sujeitai" e "dominai". A responsabilidade de "sujeitar" a terra é um mandamento de trazer a terra e tudo o que nela existe debaixo do controlo do homem e para o serviço do homem piedoso. Este mandamento de "dominar" chama o homem para cumprir a vontade de Deus para ele como expressa no versículo 26. O Mandato de Domínio dá instruções ao homem para desenvolver os recursos da terra para que o potencial máximo da criação possa ser realizado para a glória de Deus e para o benefício do próprio homem. Coloca todas as coisas debaixo dos pés do homem e responsabiliza-o para utilizar isto no desenvolvimento da cultura humana marcada pela justiça e verdadeira santidade. Mas o cumprimento do Mandato de Domínio não pode ter lugar a menos que os mandamentos de Deus mencionados no versículo 28 sejam observados: "Frutificai e multiplicai-vos; enchei a terra". Estes dois imperativos precedem em tempo e em sequência lógica o mandamento de "dominar a terra". Reparem na progressão: 1) o homem precisa de frutificar e multiplicar-se para que 2) possa encher a terra a fim de 3) ter domínio sobre toda a terra. Por conseguinte, vemos que a frutificação relativamente a crianças é essencial para o cumprimento do Mandato de Domínio! É significativo reconhecer que o primeiro mandamento dado ao homem na Bíblia é o mandamento de "frutificar e multiplicar-se". Este mandamento está baseado na instituição do casamento (cf. Génesis 2:18-24), e coloca o casamento e a procriação de muitos filhos (i.e., uma família grande) no centro do propósito de Deus para o homem no Mandato de Domínio. É também importante notar que este mandamento não foi dado no abstracto, mas concretamente ao primeiro homem e mulher, ao primeiro marido e mulher. É um mandamento que pode ser cumprido somente no relacionamento específico do casamento. O mandamento de "frutificai e multiplicai-vos" não é dado à "humanidade" mas aos homens e mulheres individualmente no contexto do casamento. Obviamente, Adão e Eva não podiam cumprir o mandamento em si mesmos, por isso o mandamento não só os amarra a eles mas passa para os seus descendentes, amarrando maridos e mulheres em cada geração para obedecer ao preceito de Deus de "frutificar e multiplicar-se a fim de encher aterra".

É também vital que consideremos a bênção de Deus que precede o mandamento: "E Deus os abençoou e lhes disse: frutificai e multiplicai-vos...". A bênção de Deus refere-se, no contexto, pelo menos em parte se não na totalidade, ao poder da procriação, i.e., à habilidade de frutificar e multiplicar e encher a terra para que o Mandato de Domínio possa ser continuado. Deus é a fonte de toda a vida humana, seja directamente como no caso de Adão e Eva, seja indirectamente naqueles a quem deu o poder de procriar como os maridos e mulheres. O homem não pode cumprir o mandamento de Deus de frutificar, encher a terra e sujeitá-la, a menos que Deus o abençoe com a habilidade de produzir descendência.

O Mandato de Domínio, portanto, inclui três mandamentos e todos eles são necessários para o seu cumprimento: "frutificai e multiplicai", "enchei a terra" e "sujeitai-a". Aqueles que se focam somente no mandamento de "sujeitar a terra e ter domínio sobre ela", apartam este dever dos dois que o precedem e apresentam uma perspectiva mutilada do Mandato de Domínio. Por essa razão, à medida que propomos o Mandato de Domínio precisamos não só de chamar o homem para ter domínio em todas as esferas da vida para a glória do Pai, mas de igualmente o chamar para seguir todos os preceitos de Deus relacionados com o mesmo. Precisamos de chamar cada marido e cada mulher para buscarem a bênção de Deus para a procriação de muitos filhos.

João Cardoso

5 de outubro de 2009

Mordomia Financeira

Nos últimos anos, têm-se vindo a intensificar as críticas à Igreja (Corpo de Cristo) no que toca ao uso ou ensino sobre finanças. Frases como “o que eles querem é dinheiro”, “o dízimo não é para hoje” e outras do género levam-me a desejar chamar a atenção de todos sobre o que a Palavra de Deus nos ensina. Se nos dizemos “cristãos”, é porque somos de Cristo. Se somos de Cristo, é porque cremos na Sua Palavra. Se cremos na Sua Palavra, desejamos obedecer à mesma. E o que nos ensina ela sobre dinheiro? Será que Deus coloca algum ênfase no ofertar ou dizimar?

Não vou perder tempo a tentar convencer cada um de vós de que Deus quer que os Seus filhos sejam abençoados em todas as áreas das suas vidas, incluindo a financeira. Creio que isto é por demais evidente. No entanto, embora esse seja o desejo de Deus, há três coisas que são igualmente óbvias:

1º Nem todos os filhos de Deus andam na abundância de tudo o que Ele planeou para eles, quer seja por ignorância, quer seja por incredulidade.

2º Nenhum cristão, por mais exercitado que seja na fé, está isento de testes ou provas, até na área financeira.

3º A ausência de provisão financeira vai muito mais além do impacto que causa nas finanças pessoais dos filhos de Deus. Afecta o coração do evangelismo mundial.

É com este último ponto em mente que quero desenvolver o meu raciocínio. Embora saibamos pela Palavra de Deus que o preço da salvação foi totalmente pago com a morte de nosso Senhor Jesus no Calvário, o preço da propagação do Evangelho à humanidade ainda tem de ser pago, cada vez que é pregado. “E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10:15).

Alguém tem de pagar esta despesa significativa. O pensamento mais equilibrado sobre o evangelismo mundial vem do ministro de Deus, do pastor ou outro ministério reconhecido em liderança, pois ele tem o seu nome impresso de forma ousada, na conta dos custos de entrega. O povo faz o louvor, dança e grita mas cabe ao líder angariar o dinheiro para “a festa”. Sem dúvida, esta é a verdadeira razão porque os líderes são referidos como colaboradores de Cristo. Temos o grande privilégio de partilhar os custos da redenção e uma das maiores honras à disposição dos pastores. O nosso relacionamento com o nosso Senhor explica porque Deus ordenou que o dízimo fosse santo. Tal como o sacrifício do nosso Senhor foi santo, o dinheiro que usamos para propagar a mensagem de Deus ao mundo, também é santo. “Todos os dízimos... são santos ao Senhor” (Levítico 27:30); “Nós somos cooperadores de Deus.” (I Coríntios 3:9).

Deixe-me chamar a sua atenção para as ofertas do povo de Deus. Não é preciso dizer que o dinheiro das ofertas vem sempre como uma grande bênção para a casa de Deus. No entanto, ao contrário do que é crença comum, o propósito principal para a oferta não é abençoar a casa de Deus. O seu propósito mais elevado é que os filhos de Deus recebam bênçãos financeiras, porque como sabe, Deus olha para as ofertas dos Seus filhos como sementes que eles plantam para a colheita. “...o que semeia com fartura, com fartura também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração...” (II Coríntios 9:6,7)

É interessante que Deus considere um roubo pessoal quando um dos Seus filhos se recusa a devolver o dízimo ou a dar ofertas. “Em que te roubámos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas” (Malaquias 3:8).

É bastante óbvio que quando alguém se recusa a dar-Lhe o dízimo, essa pessoa está a roubar a Deus, pois a Bíblia diz-nos que todos os dízimos são do Senhor. “Todos os dízimos do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do Senhor; são santos ao Senhor” (Levítico 27:30).

No entanto, é mais difícil entender porque Deus diz que foi roubado, quando alguém dá sem ser voluntariamente. Esta questão levanta-se porque a Palavra de Deus diz-nos que dar ofertas é uma acção arbitrária, que depende totalmente da vontade do dador. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7).

Para melhor entender este versículo, vamos lê-lo na versão da Bíblia Viva.

Cada um deve resolver por si mesmo quanto vai dar. Não forcem ninguém a dar mais do que realmente deseja, pois Deus aprecia os que dão alegremente” (II Coríntios 9:7).

Por este versículo podemos concluir que Deus deixa ao critério de cada um a participação ou não na oferta. Ele também deixa ao critério do Cristão a quantidade que deve dar. Tendo esta percepção, ainda permanece mais ou menos mistério o facto de Deus achar que foi roubado quando não houve oferta.

A razão para a preocupação de Deus é que, quando a semente não é plantada, nós roubamos Deus de um dos Seus maiores prazeres pessoais—o prazer que Ele tem em abençoar os Seus servos. Cantem e alegrem-se os que amam a minha justiça; digam continuamente: O Senhor, que se deleita na prosperidade do seu servo, seja engrandecido”(Salmo 35:27).

Aquilo que é roubado a Deus quando não há oferta é a alegria que Ele deveria sentir por abençoar abundantemente um dos Seus filhos preciosos.

Quando os filhos de Deus falham em dar os dízimos e as ofertas, estão a bloquear as suas próprias bênçãos. A Bíblia diz claramente que Deus abençoa os cumpridores da Palavra. À medida que cada servo de Deus educa e motiva os membros a darem os dízimos e as ofertas, está a posicioná-los para receberem as bênçãos financeiras do Senhor. Não apenas isso, mas também fazem com que Deus sinta prazer ao abençoá-los. No entanto, se não ensinarem a congregação, falham de duas maneiras.

Em primeiro lugar, falham consigo próprios, não cumprindo a comissão de pregar o Evangelho completo. Pregar a Palavra inclui tudo o que se refere à vida e à piedade. E certamente que o bem-estar financeiro das suas congregações diz respeito à vida, bem como à piedade.

Em segundo lugar, estão a falhar perante os indivíduos que Deus coloca ao seu cuidado. E falham especialmente perante eles porque não lhes ensinam como terem capacidade plena de receberem as bênçãos de Deus. Se o povo está ignorante quanto às leis de Deus sobre a sementeira e a colheita ou se não sabem como ofertar, as suas colheitas vão ser muito mais pequenas do que Deus tinha planeado para eles. É imperativo para o seu bem-estar financeiro, que todos os filhos de Deus nascidos de novo, entendam as leis de Deus sobre a colheita, e de como ofertar-Lhe de uma maneira aceitável.

Apesar do que muitos possam pensar, há muitas ofertas que Deus não aceita. ...nem aceitarei da vossa mão a oferta” (Malaquias 1:10).

Por favor, repare que eu não estou a dizer que a igreja não aceita estas ofertas, pois a igreja recebe qualquer donativo colocado no cesto das ofertas. No entanto, devo dizer que a igreja não promete multiplicar a oferta de ninguém. Deus é aquele que multiplica a oferta na vida daquele que dá. Portanto, se a oferta é para trazer uma colheita àquele que dá, deve ser dada segundo as Escrituras.

Em primeiro lugar, deve ser dada com alegria. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7).

Não devemos apenas ofertar com alegria, mas voluntariamente também. Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor. Cada um, cujo coração é voluntariamente disposto...” (Êxodo 35:5).

Há muitas outras verdades na Palavra de Deus sobre como ofertar correctamente. Quando escuta o que é ensinado ou estuda por si só, poderá comprendê-las.

Eu sei que cada pastor deseja ver o seu rebanho receber bênçãos financeiras. No entanto, desejar somente não traz o melhor de Deus para eles. As bênçãos financeiras de Deus vêm até ao povo quando este entende a Palavra de Deus e a põe em prática. “Então conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

À medida que o povo de Deus começa a entender o propósito e os princípios da sementeira e da colheita, dar a Deus deixa de ser uma obrigação medonha, e haverá suficiência e mais do que suficiente nos seus lares, bem como na casa de Deus.

É importante que todos os filhos de Deus compreendam o plano de Deus para adquirirem uma grande colheita. E ainda mais importante, devem aprender como administrar correctamente os fundos que Deus lhes confia. Deus é específico quanto ao propósito das bênçãos financeiras. “Antes te lembrarás que o Senhor teu Deus é que te dá força para adquirires riquezas, confirmando a aliança que jurou a teus pais, como hoje se vê” (Deuteronómio 8:18).

Que não haja qualquer engano. Deus quer abençoar os Seus filhos. No entanto, Ele também quer que uma boa parte dos seus bens que colocou nas mãos dos Seus filhos, sejam usados para levar o Evangelho de Cristo a todo o mundo. Transformar o nosso mundo também implica colocar os nossos bens ao serviço do Mestre! Sejamos bons mordomos do que Ele nos tem confiado!

O Escândalo da Fé


Num tempo em que todos buscam um “sinal” ou “sabedoria”, qual o significado ou o papel da fé? Estamos escandalizados (e intimidados) com a razão ou estamos a escandalizar o mundo com a nossa fé?

Uma fé sem escândalo

Bernard Ramon disse: “O erro terrível da religião é o de tentar resolver os seus problemas com o uso da razão”. Eu acrescento: “só com a razão”. Para se tornar aceitável ao homem da “razão”, deve a fé tornar-se racional? Por outras palavras: devemos viver e pregar uma fé que todos compreendam e possam praticar?

A fé cristã é para todos. Mas nem todos a aceitam (II Tessalonicenses 3:2). E nada se pode fazer por eles, já que voluntariamente rejeitam a salvação, escolhendo a perdição.

Há, contudo, quem pense que o Cristianismo vem para agradar a gregos e a troianos. É a posição dos que cristianizam nações e não indivíduos (veja-se o exemplo de Portugal). Ora, nações não crêem. Uma fé sem escândalo adapta-se às conveniências de cada um, de modo a que possamos ter tantos “cristãos” e tão pouca fé cristã.

A fé que perdeu o sentido de escândalo, de crer contra a evidência, é tão mesquinha que nem merece a oposição do mundo, mundo esse que não pode suportar a genuína fé cristã. Escandaliza-se com ela. Mas a falsa fé dos “cristãos” é aceite por ele de bom grado. Ambos convivem pacificamente ao sabor das conveniências baseadas no “bom senso” e no “respeito” humanos.

À medida que o Cristianismo perde o sentido do escândalo, cai em descrédito. As pessoas só acreditam naquilo por que vale a pena dar a vida. E dar a vida é escândalo para a razão. Viver uma fé racional, protegida sob conceitos teológicos, filosóficos e práticas litúrgicas e comunitárias, por todos aceites, só leva o “cristão” a perder a identidade como autêntico continuador da obra de Cristo.

Um escândalo sem fé

Começámos por ver a posição perigosa de uma igreja que olha para o mundo sem fé e procura adaptar-se a ele. Agora, analisaremos a situação desse mundo, que tem a capacidade de escandalizar-se, mas não a de escandalizar pela prática da fé.

Jesus Cristo fez os cegos verem, os coxos e paralíticos andarem, os leprosos serem limpos, os surdos ouvirem, os possessos serem libertos e os mortos ressuscitarem. Aos pobres, anunciou-lhes o Evangelho. Depois de tudo isso, restava ainda a possibilidade da descrença, por parte de quem não aprendeu que os olhos são para ver e os ouvidos para ouvir.

Por isso, o Mestre disse: “Bem aventurado é aquele que não se escandalizar em mim” (Mateus 11:6). Bem aventurado é aquele que o aceita como o Filho de Deus. Bem aventurado é aquele que não olha só para a cruz, mas também para o túmulo vazio. Bem aventurado é aquele que acredita na “ressurreição e na vida”, a ponto de não aceitar que a morte O possa vencer.

Muitos porém escandalizam-se n’ Ele. Enganados pelas ilusões da mente, pensam que tudo o que não provém da razão é loucura. Pobres desses que pensam que a razão dá a última palavra em tudo na vida. Não dá. Quando ela silencia, é aí que a fé começa a falar.

Os gregos pedem “sabedoria” e os judeus “sinal”. Entretanto, o Evangelho não é uma coisa nem outra. É loucura, é escândalo. E não pode deixar de o ser para agradar ao homem. Se este não pode aceitar a “loucura” da pregação (que é a sabedoria de Deus), pior para ele. O máximo que o cristão pode fazer é afirmar: “Bem aventurado é aquele que não se escandaliza no Cristo vivo.”

Fé no escândalo

O mundo em que vivemos precisa, mais do que nunca, ser confrontado com o escândalo da autêntica fé cristã. Ele não crerá se lhe pregarmos um evangelho “racional”. O dom da salvação não pode ser dissecado e esterilizado pela razão. Só pode ser alcançado pelo “absurdo” de se crer naquilo que não se vê (Hebreus 11:1).

A fé no escândalo da fé, pressupõe a aceitação natural do crente, daqueles que zombam da sua fé, perseguindo-a ou acusando-a de impostura. Jesus Cristo passou por tudo isso, mas não abriu mão do escândalo. Sabia que Ele era a salvação da fé. De facto, uma fé pela qual não valha a pena pagar o preço de morrer para tudo, inclusive para a razão, não é fé.

Denominações religiosas sem conta, perderam a credibilidade por julgarem dispensável o escândalo da fé. A fé que muitos postulam, não escandaliza ninguém - todos a têm como racional, dentro dos limites, civilizada e apropriada a cada circunstância. Hora de igreja, igreja; Hora de pecado, pecado; Hora de idolatria, idolatria. Chega a hora de fazer ver os valores morais bíblicos ou de evangelizar, boca fechada, ou se a abrem deixam com a consciência coisas que não têm a ver com ela. Mas como não estão aqui para escandalizar ninguém com uma fé irreal num Cristo absurdo, o melhor é mesmo deixar as coisas assim.

A fé cristã autêntica, para muitos dos cristãos actuais, é escândalo e loucura.

Conclusão

Para um cristão nascido de novo, porém, é o dom da salvação divina.

Não existe uma luta intrínseca entre a razão e a fé. Para o cristão que as exercita de modo correcto, tanto uma como outra, são dons divinos. Ambas manifestam a revelação de Deus. A razão tem o seu tempo e hora – a fé o seu espaço e lugar. O homem que sabe usar correctamente a sua razão, compreende sem problemas o mistério da fé.

A grande tentação para o cristão é a de tornar racional a sua fé. Com isso nivela--a por baixo. Uma fé que todos possam compreender, inclusive os inimigos da cruz, é indigna daquele que deu a sua vida pelo homem perdido. Por isso, a genuína fé cristã, só o será se se pautar pelo estranho critério de perder para ganhar, de humilhar-se para ser exaltado, de morrer para viver. Isso é escândalo para a razão, mas salvação para todo aquele que comete o escândalo de crer.