26 de outubro de 2009

Os Filhos e o Mandato de Domínio (Parte 2)

A Promessa da Fertilidade

Uma das promessas que Deus manifesta para aqueles que O amam e guardam o Seu Concerto é a da fertilidade em relação à sua geração. Na lista de bênçãos e maldições em Deuteronomio 28 a bênção da fertilidade é declarada para todos os que guardam os Seus mandamentos e ouvem a voz do Senhor (v.11), enquanto que a maldição da estirilidade é declarada sobre todos os que não cuidam em cumprir os Seus mandamentos e estatutos (v.18). Salmo 127 diz que "os filhos são a herança do Senhor e o fruto do ventre o seu galardão" (v.3), e depois declara que "bem-aventurado é o homem que enche deles a sua aljava" (v.5). O Salmo 128 começa por afirmar que o homem que teme ao Senhor é bem-aventurado, enumerando de seguida que uma das bênçãos de tal homem é "a tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa" (v.3). É significativo notar que ambos, Deutoronomio 28:11 e Salmo 128:3 usam o termo fertilidade em referência a ter-se muitos filhos. Quando se compara a bênção original da criação quanto à frutificação com a prometida bênção de fertilidade para os homens e mulheres que guardam o concerto do Senhor, é lógico concluír que a bênção da promessa divina de fertilidade é um dado adquirido da bênção original de frutificação para aqueles que guardam o concerto deDeus. E visto que a promessa original de frutificação tinha o propósito de secumprir o Mandato de Domínio, é também razoável concluír que a promessa divina de fertilidade incluiu o mesmo propósito - cumprir o Mandato de Domínio. Ao outorgar ao Seu povo a fertilidade Deus está a capacitá-lo para cumprir o Mandato original de Domínio.

A melhor compreensão para esta conexão surge, quando consideramos o amplo ensino bíblico do Mandato de Domínio. Primeiro, o Mandato de Domínio não é dado aos que quebram o concerto, mas somente aos que o guardam. O Mandato original foi dado a Adão e Eva antes da Queda quando permaneciam em comunhão com Deus. O Mandato de Domínio foi igualmente dado a Noé e aos seus filhos depois do Dilúvio (Génesis 9:1-3), tal como foi dado aos que guardavam o Seu concerto e estatutos. O Mandato de Domínio é igualmente referido por Davíd (Salmo 8) à medida que reflecte sobre o progresso dos guardas da aliança em ter domínio na terra, uma terra cheia com homens que estão em rebelião contra Deus e que, em vez de tomarem domínio e desenvolverem culturas de justiça para Deus, estão a tomar domínio para Satanás (e seus servos) e a desenvolver culturas perversas. Davíd olha para este mundo e vê que a maldade e imoralidade abundam e que todas as coisas não estão debaixo dos pés (sujeitas) dos guardas da aliança. Segundo, do Novo Testamento (Hebreus 2:6-8) aprendemos que as palavras de Davíd são proféticas e apontam para Aquele que pode colocar todas as coisas debaixo do domínio e governo dos homens justos, Jesus Cristo. O Mandato de Domínio é cumprido em Jesus Cristo e em todos aqueles que estão em concerto com Ele pela fé. Cristo conquista o pecado e Satanás, restaura a justiça aos homens e dá-lhes a Palavra de Deus e o Espírito Santo para que possam cumprir o Mandato original de Domínio de governar a terra em justiça como representantes de Deus e desenvolver todo o potencial da terra para a glória de Deus o Pai. A Cristo - o Homem Justo - é dado domínio sobre toda a terra pelo Pai, e em retorno, Ele dá a autoridade para o domínio ao Seu povo (Apocalipse 2:26,27).

Portanto, visto que o Mandato original de Domínio ainda existe; visto que o Mandato de Domínio somente pode ser cumprido pelos guardas da aliança; visto que a bênção da fertilidade em relação a cumprir o Mandato de Domínio é feita aos que guardam o concerto; então, o que daí resulta é que a fertilidade na procriação é ainda um aspecto vital do Mandato de Domínio, e o mandamento para o povo de Deus ainda permanece: "Frutificai e Multiplicai-vos".

Domínio através da Fertilidade

A importância da frutificação para o domínio do povo de aliança é ilustrada na nação de Israel enquanto no Egipto. Quando Israel foi para o Egipto eram aproximadamente 70 pessoas. Quando saíu do Egipto 400 anos mais tarde era uma nação com alguns milhões. A nação nasceu drásticamente (Êxodo 2:7). O crescimento foi tão espectacular que o Faraó decidiu limitar o seu número através da aflição e da morte à nascença do primogénito macho de cada família (Êxodo 2:9-11). Mas todo este plano falhou (Êxodo 2:12-20). O crescimento da nação hebraica era essencial para o plano de Deus. De acordo com a promessa, Canaã tinha sido dada a Israel, mas a mesma era habitada por muitas nações perversas. Se Israel tinha de conquistar a terra e possuí-la, tinha de igualmente ser uma grande e numerosa nação. Israel só podia o ter domínio da terra se as famílias se multiplicassem e fossem frutíferas para que os homens a conquistassem e as famílias a habitassem. O Mandato de Domínio para Israel em Canaã necessitou da frutificação das suas famílias.

O Mandato de Domínio para a Igreja também apela à frutificação das famílias da Igreja. As Escrituras referem os filhos como essenciais para a continuidade da aliança e propagação do Reino de Deus, e a frutificação entre o povo do concerto é ainda um aspecto vital do Mandato de Domínio. À medida que os Cristãos têm famílias numerosas e treinam os seus filhos no temor do Senhor, o Reino de Deus avança de forma irresistível. Quando temos casais Cristãos que são abençoados com filhos, os ensinam na lei de Deus e os responsabilizam para submeterem todas as esferas da vida à autoridade de Cristo e da Sua Palavra, o Mandato de Domínio está no processo de ser cumprido. Os filhos são como flechas nas mãos de um guerreiro (Salmo 127:4) atiradas para o meio da guerra cultural entre aqueles que querem exercer domínio piedoso e aqueles que promovem a perversidade; quantas mais flechas forem disparadas nesta guerra, maior é o avanço da justiça.

Sei que pode ser controverso, mas comparem a taxa de natalidade nos países muçulmanos e a taxa de natalidade nos países cristãos. Normalmente, uma família muçulmana tem em média 7 filhos. Se cada um dos seus 7 filhos tiver 7 filhos cada e assim por diante até à 5ª geração, deixam uma descendência de 19 607 pessoas. Se uma família cristã tiver 2 filhos, e os seus 2 filhos tiverem 2 filhos cada e assim por diante até 5 gerações, terão deixado uma descendência de 60 pessoas. Resultado: Muçulmanos 19 607; Cristãos 60; e isto considerando só duas famílias.

Este assunto de gerar filhos, não é uma negação da importância do evangelismo na Igreja para o seu crescimento e cumprimento do Mandato de Domínio, mas é a colocação de um ênfase que creio necessário nos dias de hoje para as famílias cristãs, mostrando-lhes que, a frutificação é importantíssima para o avanço do Reino de Deus. A redescoberta desta verdade bíblica tem grandes implicações numa era em que o aborto e o contolo de natalidade são a norma. As famílias cristãs poderiam numa questão de tempo mudar o panorama político e social da nação.

Conclusão
O Mandato de Domínio consiste de três mandamentos específicos: Frutificai e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a. Se o Mandato de Domínio ainda é actual, e nós reconstrucionistas cremos que sim, então estes três mandamentos ainda hoje são actuais. Deus ainda chama o Seu povo para ser frutífero (não só ganhando pessoas para Cristo mas também gerando filhos) a fim de que o Mandato de Domínio seja concretizado. Se pregamos à Igreja "tenham domínio", também devemos pregar aos casais da mesma "crescei e multiplicai-vos". Os dois não podem legitimamente ser separados, pois o domínio não pode ser concretizado sem frutificação.

Frutificação é o resultado da bênção divina. É um dom que nos é dado por Deus para Sua glória e nosso benefício. Os filhos são a recompensa do Senhor e uma dádiva do Seu amor. Se temos absorvido a filosofia deste mundo concernente a famílias sem filhos ou com um número muito limitado, tyalvez em humildade nos devamos arrepender perante Deus, buscar o Seu perdão e o dom da frutificação. Se o nosso tempo de frutificação já passou, busquemos na mesma o Seu perdão e invistamos nos nossos filhos e netos a serem bem sucedidos onde temos falhado e os encorajemos a buscarem a bênção de Deus de modo a terem famílias com vários filhos.

2 comentários:

  1. O contexto Mundial difícil onde as escolhas e ideais tradicionais arreigados na sociedade demonstram finalmente o resultado concreto de séculos de subjugação humana sobre a natureza e as suas criaturas. Questões como o Aquecimento Global, Desaparecimento da Camada de Ozono, Desflorestação Massiva, Contaminação da Água Potável, Fome, Pressão Demográfica Sobre as Outras Criaturas de Deus, a denominada pegada ecológica Humana assume actualmente o maior e mais pesado contributo para o desequilíbrio da Terra que o Nosso Senhor Criou.
    Citando o texto do Pastor João Cardoso:”[…]Quando Israel foi para o Egipto eram aproximadamente 70 pessoas. Quando saiu do Egipto 400 anos mais tarde era uma nação com alguns milhões. A nação nasceu drásticamente (Êxodo 2:7). O crescimento foi tão espectacular que o Faraó decidiu limitar o seu número através da aflição e da morte à nascença do primogénito macho de cada família (Êxodo 2:9-11).[…]”. Não estará aqui evidenciado que a reprodução humana sem critério, a todo o custo para dominar é o factor principal despoletador da miséria Humana. Devíamos ponderar sobre a “Lei-Palavra” do Senhor "Frutificai e Multiplicai-vos”. Ao invés de advogar a reprodução física Humana como factor único de disseminação da Palavra do Senhor, seria prudente e responsável segundo a sabedoria actual considerar o factor psicológico da frase Sagrada. O Homem integrando uma vida estável e através do Testemunho de Fé individual e colectivo de um povo, onde as alegrias de Viver em Cristo são visíveis e úteis a todos, se Frutifica e Multiplica pela Palavra do Senhor no nosso semelhante.
    Não se pode reforçar a contínua demanda pelo excepcional, onde a riqueza terrena se sobrepõe ao espiritual. De nada vale advogar a defesa de Católicos, Evangélicos, Muçulmanos, Hindus, ou qualquer outro credo! O Apostolo Paulo falou sobre o Deus Desconhecido, propôs à consideração do povo uma Fé de uma forma que este a abraçasse de livre vontade ao Ver o Bem Maior. Deus possui uma dimensão tão grande que de acordo com a capacidade e compreensão Humana assume várias denominações para os Povos da Terra, mas apenas existe um Senhor.
    Dominar e subjugar tudo!? “[…] O Mandato de Domínio é cumprido em Jesus Cristo e em todos aqueles que estão em concerto com Ele pela fé. Cristo conquista o pecado e Satanás, restaura a justiça aos homens e dá-lhes a Palavra de Deus e o Espírito Santo para que possam cumprir o Mandato original de Domínio de governar a terra em justiça como representantes de Deus e desenvolver todo o potencial da terra para a glória de Deus o Pai. A Cristo - o Homem Justo - é dado domínio sobre toda a terra pelo Pai, e em retorno, Ele dá a autoridade para o domínio ao Seu povo (Apocalipse 2:26,27).
    É necessário que seja restaurado em nós o sentido de justiça, o conseguir ser um Homem justo ou razoável, exacto, ajustado, adequado. Exige uma mudança interior, uma incorporação da palavra do Senhor e sua prática diária para que nós na Terra criada por Deus, possamos tratar do Seu Jardim e Todas as Suas criaturas com justeza. Independentemente do nosso sentido de direito sobre algo. Dominar não deve ser entendido como controlo de uns sobre outros a qualquer custo. Dominar é utilizar todas as coisas de forma criteriosa pela palavra de Senhor, sem que nos tornemos cegos, para querermos impor a nossa vontade sobre os outros. Os Homem nada têm que lhe pertença! Apenas serve Deus cuidando e utilizando o que é Dele, sem que no entanto as nossas acções privem as gerações futuras de ter o mesmo direito de servir a Deus, conforme o que pela palavra do Senhor entra no seu coração e segundo os dons que Deus lhes conceda utiliza.

    Tiago Moisés tiago_moises@sapo.pt

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  2. Obrigado pelo seu comentário Tiago. Se me permite, deixe-me chamar a sua atenção para o que transcrevo:
    "Este assunto de gerar filhos, não é uma negação da importância do evangelismo na Igreja para o seu crescimento e cumprimento do Mandato de Domínio, mas é a colocação de um ênfase que creio necessário nos dias de hoje para as famílias cristãs, mostrando-lhes que, a frutificação é importantíssima para o avanço do Reino de Deus. A redescoberta desta verdade bíblica tem grandes implicações numa era em que o aborto e o contolo de natalidade são a norma. As famílias cristãs poderiam numa questão de tempo mudar o panorama político e social da nação".
    Creio que compete ao ser humano regenerado marcar a diferença. Reconheço que a Igreja tem perdido muitos dos seus valores e propósito, e até interesse por aquilo que a rodeia pensando que está aqui "como forasteira" a "caminho do céu", mas também creio que Deus está a levantar nesta hora pessoas que se interessam por todas as áreas da sociedade, não perdendo de vista a razão principal porque estamos cá... levar esta TERRA à sujeição do Senhorio de Cristo e torná-la num mundo melhor onde todos possam viver. E para isso, não podemos aceitar só parte do Mandato, mas todo! E "frutificar e multiplicar" é parte desse todo, bem como o evangelizar.
    João Cardoso

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