5 de outubro de 2009

Mordomia Financeira

Nos últimos anos, têm-se vindo a intensificar as críticas à Igreja (Corpo de Cristo) no que toca ao uso ou ensino sobre finanças. Frases como “o que eles querem é dinheiro”, “o dízimo não é para hoje” e outras do género levam-me a desejar chamar a atenção de todos sobre o que a Palavra de Deus nos ensina. Se nos dizemos “cristãos”, é porque somos de Cristo. Se somos de Cristo, é porque cremos na Sua Palavra. Se cremos na Sua Palavra, desejamos obedecer à mesma. E o que nos ensina ela sobre dinheiro? Será que Deus coloca algum ênfase no ofertar ou dizimar?

Não vou perder tempo a tentar convencer cada um de vós de que Deus quer que os Seus filhos sejam abençoados em todas as áreas das suas vidas, incluindo a financeira. Creio que isto é por demais evidente. No entanto, embora esse seja o desejo de Deus, há três coisas que são igualmente óbvias:

1º Nem todos os filhos de Deus andam na abundância de tudo o que Ele planeou para eles, quer seja por ignorância, quer seja por incredulidade.

2º Nenhum cristão, por mais exercitado que seja na fé, está isento de testes ou provas, até na área financeira.

3º A ausência de provisão financeira vai muito mais além do impacto que causa nas finanças pessoais dos filhos de Deus. Afecta o coração do evangelismo mundial.

É com este último ponto em mente que quero desenvolver o meu raciocínio. Embora saibamos pela Palavra de Deus que o preço da salvação foi totalmente pago com a morte de nosso Senhor Jesus no Calvário, o preço da propagação do Evangelho à humanidade ainda tem de ser pago, cada vez que é pregado. “E como pregarão, se não forem enviados?” (Romanos 10:15).

Alguém tem de pagar esta despesa significativa. O pensamento mais equilibrado sobre o evangelismo mundial vem do ministro de Deus, do pastor ou outro ministério reconhecido em liderança, pois ele tem o seu nome impresso de forma ousada, na conta dos custos de entrega. O povo faz o louvor, dança e grita mas cabe ao líder angariar o dinheiro para “a festa”. Sem dúvida, esta é a verdadeira razão porque os líderes são referidos como colaboradores de Cristo. Temos o grande privilégio de partilhar os custos da redenção e uma das maiores honras à disposição dos pastores. O nosso relacionamento com o nosso Senhor explica porque Deus ordenou que o dízimo fosse santo. Tal como o sacrifício do nosso Senhor foi santo, o dinheiro que usamos para propagar a mensagem de Deus ao mundo, também é santo. “Todos os dízimos... são santos ao Senhor” (Levítico 27:30); “Nós somos cooperadores de Deus.” (I Coríntios 3:9).

Deixe-me chamar a sua atenção para as ofertas do povo de Deus. Não é preciso dizer que o dinheiro das ofertas vem sempre como uma grande bênção para a casa de Deus. No entanto, ao contrário do que é crença comum, o propósito principal para a oferta não é abençoar a casa de Deus. O seu propósito mais elevado é que os filhos de Deus recebam bênçãos financeiras, porque como sabe, Deus olha para as ofertas dos Seus filhos como sementes que eles plantam para a colheita. “...o que semeia com fartura, com fartura também ceifará. Cada um contribua segundo propôs no seu coração...” (II Coríntios 9:6,7)

É interessante que Deus considere um roubo pessoal quando um dos Seus filhos se recusa a devolver o dízimo ou a dar ofertas. “Em que te roubámos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas” (Malaquias 3:8).

É bastante óbvio que quando alguém se recusa a dar-Lhe o dízimo, essa pessoa está a roubar a Deus, pois a Bíblia diz-nos que todos os dízimos são do Senhor. “Todos os dízimos do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do Senhor; são santos ao Senhor” (Levítico 27:30).

No entanto, é mais difícil entender porque Deus diz que foi roubado, quando alguém dá sem ser voluntariamente. Esta questão levanta-se porque a Palavra de Deus diz-nos que dar ofertas é uma acção arbitrária, que depende totalmente da vontade do dador. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7).

Para melhor entender este versículo, vamos lê-lo na versão da Bíblia Viva.

Cada um deve resolver por si mesmo quanto vai dar. Não forcem ninguém a dar mais do que realmente deseja, pois Deus aprecia os que dão alegremente” (II Coríntios 9:7).

Por este versículo podemos concluir que Deus deixa ao critério de cada um a participação ou não na oferta. Ele também deixa ao critério do Cristão a quantidade que deve dar. Tendo esta percepção, ainda permanece mais ou menos mistério o facto de Deus achar que foi roubado quando não houve oferta.

A razão para a preocupação de Deus é que, quando a semente não é plantada, nós roubamos Deus de um dos Seus maiores prazeres pessoais—o prazer que Ele tem em abençoar os Seus servos. Cantem e alegrem-se os que amam a minha justiça; digam continuamente: O Senhor, que se deleita na prosperidade do seu servo, seja engrandecido”(Salmo 35:27).

Aquilo que é roubado a Deus quando não há oferta é a alegria que Ele deveria sentir por abençoar abundantemente um dos Seus filhos preciosos.

Quando os filhos de Deus falham em dar os dízimos e as ofertas, estão a bloquear as suas próprias bênçãos. A Bíblia diz claramente que Deus abençoa os cumpridores da Palavra. À medida que cada servo de Deus educa e motiva os membros a darem os dízimos e as ofertas, está a posicioná-los para receberem as bênçãos financeiras do Senhor. Não apenas isso, mas também fazem com que Deus sinta prazer ao abençoá-los. No entanto, se não ensinarem a congregação, falham de duas maneiras.

Em primeiro lugar, falham consigo próprios, não cumprindo a comissão de pregar o Evangelho completo. Pregar a Palavra inclui tudo o que se refere à vida e à piedade. E certamente que o bem-estar financeiro das suas congregações diz respeito à vida, bem como à piedade.

Em segundo lugar, estão a falhar perante os indivíduos que Deus coloca ao seu cuidado. E falham especialmente perante eles porque não lhes ensinam como terem capacidade plena de receberem as bênçãos de Deus. Se o povo está ignorante quanto às leis de Deus sobre a sementeira e a colheita ou se não sabem como ofertar, as suas colheitas vão ser muito mais pequenas do que Deus tinha planeado para eles. É imperativo para o seu bem-estar financeiro, que todos os filhos de Deus nascidos de novo, entendam as leis de Deus sobre a colheita, e de como ofertar-Lhe de uma maneira aceitável.

Apesar do que muitos possam pensar, há muitas ofertas que Deus não aceita. ...nem aceitarei da vossa mão a oferta” (Malaquias 1:10).

Por favor, repare que eu não estou a dizer que a igreja não aceita estas ofertas, pois a igreja recebe qualquer donativo colocado no cesto das ofertas. No entanto, devo dizer que a igreja não promete multiplicar a oferta de ninguém. Deus é aquele que multiplica a oferta na vida daquele que dá. Portanto, se a oferta é para trazer uma colheita àquele que dá, deve ser dada segundo as Escrituras.

Em primeiro lugar, deve ser dada com alegria. Cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com tristeza ou por necessidade, pois Deus ama ao que dá com alegria” (II Coríntios 9:7).

Não devemos apenas ofertar com alegria, mas voluntariamente também. Tomai, do que tendes, uma oferta para o Senhor. Cada um, cujo coração é voluntariamente disposto...” (Êxodo 35:5).

Há muitas outras verdades na Palavra de Deus sobre como ofertar correctamente. Quando escuta o que é ensinado ou estuda por si só, poderá comprendê-las.

Eu sei que cada pastor deseja ver o seu rebanho receber bênçãos financeiras. No entanto, desejar somente não traz o melhor de Deus para eles. As bênçãos financeiras de Deus vêm até ao povo quando este entende a Palavra de Deus e a põe em prática. “Então conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).

À medida que o povo de Deus começa a entender o propósito e os princípios da sementeira e da colheita, dar a Deus deixa de ser uma obrigação medonha, e haverá suficiência e mais do que suficiente nos seus lares, bem como na casa de Deus.

É importante que todos os filhos de Deus compreendam o plano de Deus para adquirirem uma grande colheita. E ainda mais importante, devem aprender como administrar correctamente os fundos que Deus lhes confia. Deus é específico quanto ao propósito das bênçãos financeiras. “Antes te lembrarás que o Senhor teu Deus é que te dá força para adquirires riquezas, confirmando a aliança que jurou a teus pais, como hoje se vê” (Deuteronómio 8:18).

Que não haja qualquer engano. Deus quer abençoar os Seus filhos. No entanto, Ele também quer que uma boa parte dos seus bens que colocou nas mãos dos Seus filhos, sejam usados para levar o Evangelho de Cristo a todo o mundo. Transformar o nosso mundo também implica colocar os nossos bens ao serviço do Mestre! Sejamos bons mordomos do que Ele nos tem confiado!

7 comentários:

  1. Amen!

    Acho que é importante percebermos que quem não dá é que fica a perder. Quando um ministro e um ministério continua a prosperar, mesmo em tempos difíceis e mesmo quando ninguém quer dar, é indicação que quem ficou a perder não foram aqueles que semearam a palavra, mas aqueles que não retribuíram do que colheram e não semearam do que restou. Muitas vezes, aquilo que retiveram, não os fez ricos. Em alguns casos, até os empobreceu, porque perderam a Sua protecção financeira...

    Gosto de ver os ministros e ministérios que retribuem e semeiam de tudo que recebem e têm...nunca vi nenhum a passar fome!

    António Pinto

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  2. É isso mesmo!!!

    Carlos Cardoso

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  3. Muito bom, copiei o artigo e enviei a alguns amigos. Abraços.

    David Pereira

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  4. Excelente artigo.... gostei imenso.... continue "Pastori de mê coraçao...!" Bjinhos, Loide

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  5. Obrigado Pastor João pela mensagem é benção! Bem precisamos de aprender. Saudações.
    Ana Maria Rendas

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  6. Jesus ao ensinar a oração do Pai Nosso fez bem claro que a vontade de Deus seria para a Terra e para o Céu. Se no Céu há abundância e riqueza aqui na Terra terá que haver entre os filhos do Rei. Agora: Creio que o Senhor só libera essa abundância quando o coração do homem não está na abundância do que possui, mas sim n'Aquele que é a fonte de toda a prosperidade na Igreja.
    Luis Melo

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  7. Ora ai está um assunto que deve ser bem explicado pois é onde surgem mais duvidas...por ser dinheiro!

    Um bem-haja.Vou já passar esta mensagem a todos os meus contactos

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